Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 698 - 08/2009
Região 8 - Comasa e  Iririú
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Cachoeiras podem voltar ao rio

                Enquanto alguns ainda insistem em despejar criminosamente resíduos industriais no rio Cachoeira, outros investem para vê-lo novamente navegável, piscoso e banhável

 


Empresário quer diques como este ao longo dos afluentes e do Rio Cachoeira para naturalmente oxigenar as suas água
 e conter lixo flutuante e lodo contaminado. A técnica de baixíssimo custo é comum nos rios da Europa e EUA

        O rio mais poluído de Joinville tem Cachoeira apenas no nome. Para permitir a navegação com o advento da colonização a partir de 1851, as pedras que havia no seu leito foram retiradas ou dinamitadas transformando-o completamente. Além do silencioso fluir, desde então diminuiu também a oxigenação das suas águas. Durante décadas a poluição industrial e de esgoto doméstico transformaram-no em enorme vala de esgoto a céu aberto. Apesar de algumas empresas persistirem com seus despejos como no recente flagrante feito pelo Instituto Viva o Cachoeira que denunciou a centenária indústria Cia Fabril Lepper, a vida começa a retornar ao castigado rio. Jacarés, biguás, peixes, marrecas d’água, garças, colhereiros, capivaras e outros animais são presenças cada vez mais constantes.
        Mas, a consciência ambiental já “contamina” positivamente alguns empresários joinvilenses. Um deles, que pede para não ter nem seu nome nem o da sua empresa identificados defende prática de recuperação ambiental de rios disseminada em países da Europa e também nos EUA. Em curso d’água da sua empresa no Distrito Industrial ele reproduziu um sistema de pequeno dique de contenção que retém lixo flutuante em grade de contenção acima do nível da água além de lama e sólidos poluentes que sedimentam no leito e podem ser removidos da base do referido dique.
        Outro ganho adicional ao simples e barato sistema é a natural e constante oxigenação da água provocada pelo desnível e também leito de pedras que promove o turbilhonamento e ainda mais oxigenação. “É só contratar alguém para constantemente recolher o lixo preso na grade e aspirar o lodo do fundo que decanta na base do dique”, disse o empresário em recente encontro com diretores do Instituto de Preservação e Recuperação da Biodiversidade de Joinville e Região – Viva o Cachoeira – IVC.
        O empresário, que na infância mergulhava e nadava no rio, investe no sonho de ver o Cachoeira despoluído e os netos repetindo o lazer de criança. Igualmente desejam e se mobilizam voluntariamente os ambientalistas do IVC. “Vamos apoiar a iniciativa do empresário, pois a construção desses diques tem baixo custo e não se baseia nos projetos de milhões ou bilhões de reais que alguns defendem para despoluir o rio Cachoeira”, diz a sócia fundadora do IVC Janildes dos Santos.

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