Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 698 - 08/2009
Região 8 - Comasa e  Iririú
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

Nesta edição:

Pescador espera pelo “milagre” da
despoluição da Baía Babitonga


Fidélis Berbenbrock com um dos seus barcos no Rio Comprido

Nos últimos 20 anos Fidélis Berkenbrock, 42, fez da milenar profissão – pescador - um bico para melhorar a renda. Das pescarias rotineiras, peixes e camarões têm sido o principal alimento da sua mesa. O que sobra vende para amigos, parentes e conhecidos. A cada ano tem vendido menos. Na pescaria que fizera no dia 11 de agosto, das 14h às 21h, com vários lances de 600 metros de redes pelos conhecidos pesqueiros da Baía Babitonga o resultado foi menos de três quilos de peixe.
A região que já foi tão generosa quanto a da passagem descrita na Bíblia, de redes cheias de peixes, agora espera pelo “milagre” da despoluição. Para Berkenbrock, o assoreamento da Baía Babitonga e a poluição trazida principalmente pelo Rio Cachoeira são as principais causas de tão pouco peixe no estuário.
Consciente de que alguma coisa precisa ser feita, pois centenas de famílias de Joinville e região dependem da atividade, esse pescador ajudou a criar o Instituto de Preservação e Recuperação da Biodiversidade de Joinville e Região – Viva o Cachoeira - IVC, que completa um ano neste mês de agosto. Berkenbrock facilmente aponta locais que alguns anos atrás tinham até oito metros de profundidade e peixes em abundância. “Hoje, na maré baixa, até com barco a remo encalha”, revela o pescador que só conseguiu sobreviver exclusivamente da atividade por seis meses. A garantia de uma renda fixa tem na segunda profissão: vigilante.
Morador à Rua Coronel Vieira, bairro Iririú, há 32 anos, seus dois barcos de pesca ficam num rancho do amigo Ademar Cardoso, às margens do rio Comprido, no bairro Jardim Iririú. No início, ia de bicicleta até o Vigorelli e alugava um barco para pescar. Agora têm barcos, redes, motores de popa e experiência. Peixe? Cada vez menos. Otimista, acredita que isso possa mudar. Como ambientalista do IVC, Berkenbrock luta para que o rio Cachoeira deixe de ser o maior poluidor da Baía Babitonga e assim realizar o sonho de viver exclusivamente da pesca.

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