Jornal O
Vizinho - Ano XVIII Nº
691
- 06/2009 |
Trapiche da única praia dos joinvilenses está com estrutura danificada por colisão de embarcação turística

Rachadura na laje do trapiche da Vigorelli provocada
por colisão do catamarã Bella Catarina
Não bastassem os problemas
que vivem os moradores e comerciantes da praia do Vigorelli por conta da
indefinição sobre seus futuros no local, o trapiche público que foi construído
pela prefeitura na década de 1980 e reformado há poucos anos sofreu sério dano
na sua estrutura. Segundo o pescador Mauro Luiz Araújo, no dia 18 de abril o
catamarã Bella Catarina colidiu com o trapiche entre 8h e 8h30 da manhã. Ainda
no mesmo dia, às 16h30 outra colisão da mesma embarcação provocou enormes
rachaduras na laje do trapiche.
O
capitão-de-corveta Alexandre Lopes Vianna de Souza, delegado da Capitania dos
Portos de São Francisco do Sul, diz que na ocasião foi instaurado inquérito
administrativo para apurar os fatos. Dois meses depois ele informa: “O inquérito
está em andamento”. O trapiche é equipamento de lazer para milhares de
pescadores e famílias joinvilenses que continuam usando o local sem saber se há
riscos ou não. Apesar da preocupante fratura da laje não há qualquer sinalização
indicativa.
A apreensão
dos pescadores é que as autoridades proíbam o uso do trapiche. “Deviam proibir a
atracação desses barcos, isso sim”, diz Rosalvo de Oliveira, 35, morador do
bairro Nova Brasília, que há mais de três anos vem pescar no local. “É meu
passatempo preferido, mesmo quando não pego qualquer peixe”. Para ele, o dono do
catamarã “já devia ter mandado consertar o nosso trapiche”.
Instituto Viva o Cachoeira apoia moradores
A energia
depende do gerador à óleo diesel. Nos quiosques de folhas de coqueiro, a sombra
convida à conversa despreocupada, que pode vir acompanhada ou da porção de filé
de peixe ou do camarão. Recanto de instalações rústicas e culinária tradicional,
na Vigorelli, a maior preocupação dos moradores é com o resultado do processo
que pede a remoção de todas as famílias do local e que está tramitando no
Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O desejo dos nativos é de permanência. O
Instituto de Preservação e Recuperação da Biodiversidade de Joinville e Região –
Viva o Cachoeira – IVC, defende a posição de vários ambientalistas e algumas
autoridades para a manutenção dos que comprovadamente residem no local “e que se
faça investimento público para a qualificação destes moradores para
transformá-los em guardiãs que denunciem novas invasões e agentes ambientais
para a preservação e recuperação das áreas degradadas”.
O
sócio-fundador do IVC (www.institutocachoeira.org.br), Jorge Luiz Mazotto,
assíduo freqüentador do local com a família, acredita que o custo social da
retirada de toda aquela gente pode ser maior que o eventual prejuízo ambiental
que já tenha sido provocado. “Sou contra novas invasões, mas a favor que se
mantenha lá quem já vive há anos e que pode se transformar em protetor ambiental
da Vigorelli. Se a decisão for pela remoção, que se faça a justa indenização”.
Segundo
Araújo, que também é um dos fundadores da Associação de Pescadores e Moradores
do Vigorelli, continuam as invasões no local. “Algumas para a especulação
imobiliária com anúncios em jornais, inclusive”.