Jornal O
Vizinho - Ano XVIII Nº
691
- 06/2009 |
“A culpa é da imprensa”
A mais recente acusação contra a imprensa foi protagonizada pela Câmara de Vereadores de Joinville – CVJ para justificar audiência pública esvaziada

Andressa Matos Elyas, do Instituto Viva o Cachoeira -
IVC, primeira a esquerda, e parte da “insignificante”
participação popular na plateia da CVJ, ao fundo
A
afirmação destacada na manchete já é considerada clichê de políticos. Muitos
insistem nessa prática do senso comum e do discurso fácil quando precisam
justificar suas incompetências ou, se encurralados, transferir suas culpas. A
presidente da Comissão de Urbanismo, Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente,
vereadora Dalila Leal (PSL), defendeu os vereadores e representantes da
prefeitura acusando a imprensa pelo baixo quorum popular em recente audiência
pública: “A culpa é da imprensa que não divulga. Como podem ver, não tem nenhum
representante neste evento”. A acusação duplamente infundada teve imediata
contestação de populares, pois o evento foi acompanhado do início ao fim pela
equipe de reportagem do Jornal O Vizinho – JOV.
A atividade
promovida pela CVJ no início do mês foi marcada por muitos constrangimentos
vividos por autoridades políticas da prefeitura e da CVJ. A plateia praticamente
vazia – reunia pouco mais de trinta cidadãos – para a discussão sobre o Conselho
da Cidade foi tida como resultado da manipulação dos dois poderes, por parte de
alguns presentes.
O protesto
de entidades contra o esvaziamento popular teve o aval da Ordem dos Advogados do
Brasil – OAB Joinville, entre outras. Manifestantes denunciaram que o documento
aprovado pela prefeitura, na gestão anterior, não considerou várias decisões da
população das audiências realizadas ano passado. A maior contestação se faz à
representatividade do respectivo conselho que tem maioria do poder público,
exatamente o contrário da decisão popular. A “pouca divulgação” e “manipulação
da prefeitura no documento final” foram os argumentos justificados inclusive por
delegados voluntários que protestavam pela “insignificante participação da
população” na CVJ na audiência pública realizada no início de junho.
Para a
sócia do Instituto de Preservação e Recuperação da Biodiversidade de Joinville e
Região – Viva o Cachoeira – IVC, Andressa Matos Elyas, 17, a sessão foi
“vergonhosa”. “É um absurdo esse tipo de desculpa e acusação. A população não
participa porque não é devidamente informada. Eu fui convidada pela diretoria do
IVC”, revolta-se a jovem ambientalista. Outros presentes argumentaram que só
souberam do evento porque leram nota do jornalista Jefferson Saavedra, no Jornal
A Notícia.
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