Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 690 - 06/2009
Região 4 - Garuva, Canela, Dona Francisca, Pirabeiraba e Rio Bonito
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Desperdício no Brasil é um dos maiores do mundo

     
José Alves com uma carga de sucata e sua “casinha” aos fundos

        Segundo José Alves, Garuva tem “uns 15 catadores”, importantes agentes ambientais que educam a população para o reaproveitamento de matéria-prima reciclada. Ele gosta muito de morar na cidade. Diz que todos o tratam muito bem enquanto trabalha retirando do lixo o sustento da família. Mas, confessa que ganha pouco e pensa em ir embora. Em média, R$ 300,00 por mês. Acredita que em Itapoá vai conseguir mais. A atual boa forma e saúde credita ao clima da cidade e aos serviços médicos e ambulatoriais públicos e gratuitos oferecidos pertinho de casa. “Sempre fui muito bem atendido. Todos cuidam bem de mim”, revela com sorriso de agradecimento.
        A rotina de trabalho é sair cedo de casa e no período da manhã ir para os bairros distantes do centro. Almoça em casa quase todos os dias; no período da tarde faz coletas na região mais central: “Sou bem recebido em todos os lugares aonde vou. Muitos comerciantes guardam as sucatas para mim”.
        Apesar disso, o desperdício no Brasil é um dos maiores do mundo. Recicla-se menos de 5% do lixo urbano. Segundo a União Brasileira para a Qualidade – UBQ, os EUA e a Europa reciclam 40%. Mas o Brasil é campeão na reciclagem de papelão e latas de alumínio, e isso se deve ao trabalho dos agentes ambientais como o José Alves. Estima-se que aproximadamente meio milhão de brasileiros vivem do lixo para garantir renda mensal média de R$ 500,00.
        Segundo Alves, em Garuva é difícil encontrar alumínio: “Umas cinco latinhas por dia”. O país recicla 85% de todo o alumínio que produz. Plástico, apenas 21%. Vidro e papel, 38%. Para cada 10% de caco de vidro reciclado, economiza-se 4% da energia necessária para a fusão nos fornos industriais e a redução de 9,5% no consumo de água.
        De acordo com o Compromisso Empresarial para Reciclagem – Cempre, em 2004, do total do lixo produzido no Brasil, 15% era composto por plásticos, 16%, por vidros, 8%, metais, 35%, papel e papelão. Em 2006, o volume de plásticos ficou estável (16,49%), papel e papelão caiu 62,4%, vidro diminuiu 83% e metal, 74,2%. A mudança de perfil é atribuída ao fato de a indústria estar substituindo papel, papelão e vidro por plástico nas embalagens.
        Em 2005, o Brasil reciclou mais de 9,4 bilhões de latas de alumínio, que representam 96,2% da produção nacional de latas. A lata de alumínio é o material reciclável mais valioso. O preço pago por uma tonelada é, em média, de R$ 3.500, sendo que o quilo equivale a 75 latinhas.
        Das embalagens PET (aquelas de refrigerantes) consumidas 47% foram efetivamente recicladas em 2005, totalizando 174 mil toneladas. A indústria recicladora das embalagens pós-consumo de PET apresenta crescimento anual acima de 20% desde 1997. Cerca de 49,5% do papel que circulou no país em 2005 retornou à produção através da reciclagem. Esse índice corresponde à aproximadamente dois milhões de toneladas. A maior parte do papel destinado à reciclagem, cerca de 86%, é gerado por atividades comerciais e industriais. Segundo a pesquisa Ciclosoft, realizada em 327 municípios brasileiros, o papel ondulado e o papel de escritório correspondem a 38% dos pesos dos resíduos da coleta seletiva dos mesmos.

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