Jornal O
Vizinho - Ano XVIII Nº
690
- 06/2009 |
A farsa das Audiências Públicas da Câmara de Vereadores
“Se a sociedade não está aqui é porque ela entende que está representada por seus vereadores”

Plateia praticamente vazia marca audiência pública que
discute o futuro da cidade
A
recente Audiência Pública promovida pela Câmara de Vereadores de Joinville – CVJ
para discutir a criação do Conselho da Cidade aumentou suspeitas de muitos
munícipes: farsa. Na abertura, o vereador Lauro Kalfels (PSDB) discursou
reconhecendo a importância do evento: “Estamos tratando do futuro, dos próximos
50 ou 100 anos de Joinville”. A legitimidade do evento foi contestada por alguns
dos poucos presentes, inclusive pela Ordem dos Advogados do Brasil – OAB
Joinville. Membros da Comissão de Urbanismo, Obras, Serviços Públicos e Meio
Ambiente, presidida pela vereadora Dalila Leal (PSL) conduziram o evento que foi
um fracasso de participação popular. Na plateia havia um pouco mais de trinta
pessoas.
As
manifestações de populares deixaram constrangidas as autoridades presentes. Um
deles lembrou que quem deve decidir o que vai ser feito na cidade é o cidadão.
“Sabemos que historicamente os conselhos comunitários são manipulados. O poder
da comunidade vai além do poder político”, afirmou Lenin Peña. Por conta desse
esvaziamento da plenária, outros manifestantes se pronunciaram insatisfeitos com
a “pouca divulgação” e citaram exemplos de outras reuniões populares feitas por
entidades com muito menos recursos que a CVJ e que mobilizam centenas de
pessoas.
O vereador
Kalfels, para justificar a insignificante participação popular, disse que a CVJ
fez a divulgação oficial e legal que exige uma audiência pública. A defesa que
fez Kalfels não foi contestada por nenhum vereador presente ao evento: “Há
desinteresse social, deve ser cultural, não sei. Estamos no século XXI e a
participação popular sempre teve problema. Talvez porque Joinville é uma cidade
trabalhadora onde todos têm o seu compromisso. Os vereadores são os legítimos
representantes da sociedade joinvilense”. Com isso, eles quis dizer que basta a
participação dos vereadores nas audiências públicas.
Se a
afirmação do vereador é o que pensa a casa legislativa joinvilense, as
audiências públicas não passam de eventos para cumprir formalidades. “Ainda não
vi uma audiência pública promovida pela CVJ que tenha atendido o desejo popular.
Depois do que disse o vereador não há dúvidas de que são eventos farsantes”,
desabafa munícipe que tem frequentado esses ambientes e pede para não ser
identificado.
Audiência
Pública é um instrumento de ampliação da legitimidade popular incentivado por
governos e políticos (inclusive vereadores) comprometidos com os anseios das
comunidades.
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