Nesta edição:
Saudade do tempo que dormia de janelas abertas

Família
Köntopp ainda é exemplo de vilanovenses rurais
A transição do rural para o urbano é visível no
bairro Vila Nova que originalmente era praticamente todo voltado às
atividades de plantio e pecuária. Pastos e arrozais dominavam o bairro.
Muitos moradores da região que ainda vivem nas áreas rurais se viram
obrigados, nos últimos anos, ao emprego em empresas ou a empreender em
alguma atividade.
A família Köntopp é um exemplo clássico desse quadro. Hilário Köntopp, 60
anos, nasceu às margens da antiga Estrada do Sul, agora Rodovia do Arroz. Os
pais eram agricultores que vendiam nos fins de semana queijo, aipim, batata
e até arroz - que plantavam e descascavam -, no centro da cidade. A pequena
propriedade não tinha tamanho suficiente para sustentar mais uma família.
Aos 28 anos Hilário foi trabalhar na já extinta Cassimiro Silveira, como
tecelão. Quatro anos depois voltou para a lavoura. Em 1980 mudou-se com a
esposa para a Estrada Piraí e lá moraram por mais quatro anos. Nesse período
trabalhou com o sogro “puxando lenha que compravam dos colonos da região e
vendiam para as malharias de Joinville”. Era o combustível das caldeiras.
Em 1980 foi trabalhar na Tigre S/A, “a fábrica 2” na Estrada Bororós. Lá
ficou por 16 anos como operador de injetora.
Aposentou-se e continuou na Tigre por mais um ano, quando então foi
demitido. “A crise veio e os aposentados foram os primeiros a serem mandados
embora”. Hilário Köntopp voltou a morar na casa onde nasceu.
Casado há 37 anos com Diva Köntopp têm dois filhos: Gilmar Köntopp, 32 anos
e Rogério Köntopp, 27 que ainda mora com os pais, continua com a produção de
arroz, mas também trabalha numa empresa metal-mecânica. Assim completa-se o
ciclo de três gerações da família ligada à terra. Gilmar abriu uma
agropecuária à rua XV de Novembro, a Campo e Lavoura. O pai trabalha na loja
do filho e diz que a vida é muito mais fácil atualmente. “Antes era tudo no
braço ou com animais. Agora, tem maquinário pra tudo”, explica o agricultor.
Mas, ele sente saudade do tempo que podia dormir com as janelas abertas.
“Tem muita bandidagem e droga por aqui”, lamenta. |
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