Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 696 - 07/2009
Região 15 - Araquari, Floresta, Santa Catarina e Itinga
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Jet Bus vai embora

           Paranaguá e Ilha do Mel, no vizinho estado do Paraná é o destino da moderna embarcação
 


Fica o Jet Truck: um barco rústico de madeira com capacidade para 70 pessoas que
tenta fazer a linha diária entre Joinville e São Francisco do Sul

        A navegação a partir do Cais Conde D’Eu, no centro de Joinville está inviabilizada para o Jet Bus. A remoção de lama para as margens do Rio Cachoeira é um paliativo que mantém por pouco tempo o canal de navegação com o mínimo de profundidade para a embarcação. Só com maré alta o Jet Bus conseguia fazer o percurso da hidrovia recém inaugurada pelo governo do estado e que liga os centros de Joinville e São Francisco do Sul.
        A situação é tão grave que até o Jet Truck, a traineira que a empresa comprou há poucos meses e que pode navegar com menor lâmina de água, também precisa de maré alta para o trajeto. A única saída, segundo os marinheiros, é a dragagem do canal de navegação com remoção da lama para um bota-fora. Segundo o empresário Fernão Sérgio de Oliveira, como o Jet Bus não tem regularidade de navegação o investimento acumula prejuízos mensais que precisam ser revertidos. “Fomos convidados por empresários e representantes do governo de Paranaguá e decidimos levar o Jet Bus para explorar o turismo naquela região”, justifica Oliveira.
        O Jet Bus é um moderno barco com capacidade para 84 passageiros, equipado com ar condicionado, TV, sistema de som, navegação por satélite, motorização ecológica que atende as mais rigorosas normas internacionais de controle de emissão de gases.

IVC lamenta a decisão e defende a reabertura do Canal do Linguado
        Para os ambientalistas do Instituto Viva o Cachoeira (IVC) a decisão pode representar um retrocesso no meio ambiente de Joinville e região. Estima-se que vinte mil pessoas foram transportadas pela Jet Bus Transportes Marítimos desde o início da operação. Como a quase totalidade deles é de joinvilenses, o passeio tem provocado um novo olhar da população para o rio: o chamado “Efeito Jet Bus de conscientização ambiental”. O operário Carlos Furtado, 29 anos, morador do Itinga fez o trajeto no início do ano. “Desde o passeio olho diferente o Cachoeira. Para mim ele estava morto. Ainda há muita vida e beleza. Precisamos salvar os nossos rios”.
        Segundo o sócio do IVC e marinheiro aposentado que durante anos navegou o Rio Cachoeira com o navio Catarina, não adianta tirar a lama do canal e jogar na beira do rio. “Tem que levar todo esse material para outro lugar e reabrir o Canal do Linguado”, defende Adilson Lopes da Silva, morador do Itaum.

        Segundo o Departamento Estadual de Infra-Estrutura (DEINFRA) faltam apenas os despachos da Marinha e da Fatma para que se inicie o processo da dragagem. “Acreditamos que isso demore ainda uns 45 dias”, prevê a Superintendente Regional Norte, Enga Andréia Cristina Teixeira. A ida do Jet Bus para Paranaguá não é definitiva. “Assim que houver condições de plena navegabilidade, não só trazemos o Jet Bus de volta como podemos aumentar a frota”, diz Oliveira.

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