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Um balaio de gatos na Torre de Babel
A
preocupação da APREMA-SC reside no modelo montado pelo IPPUJ na organização e
composição das câmaras setoriais. Entendemos que no conceito de cidadania e
solidariedade humana e na filosofia do que deveria ser o Conselho da Cidade,
seria indispensável o respeito a todas classes sociais com a montagem das
câmaras setoriais oportunizando a participação de todos os setores de atividades
econômicas da cidade, cada setor em sua câmara setorial especializada. Agrupando
os iguais em seus próprios ambientes específicos, os resultados sócio-econômicos
e ambientais seriam certamente diferentes dos que vão ocorrer em Joinville nos
próximos anos, com uma cidade que não terá o enfoque ambiental e qualidade de
vida maximizados para as gerações que estão chegando. Da forma como o comitê foi
formado, a visão prioritária será inevitavelmente a do lucro privado.
A comissão
preparatória da Assembléia Extraordinária do IPPUJ permitiu montar uma legitima
Torre de Babel que provocará o desentendimento ou, por outra forma, a submissão,
permitindo aos mais fortes financeiramente manter os privilégios que vem sendo
praticados na sociedade de Joinville: Garantir ao poder do capital os bons
lucros e continuar socializando as perdas da qualidade de vida com a sociedade
em geral.
Esse triste
exercício do poder-pelo-poder aconteceu – programadamente - na eleição dos 7
representantes que compõe do lado da sociedade civil organizada. Houvesse
respeito e a formação das câmaras com a respectiva participação dos iguais, a
sociedade não teria entrado nessa armadilha dos mais espertos.
Na câmara
setorial do ambiente natural, por exemplo, onde deveriam estar presentes tão
somente as ONGs e movimentos sociais legítimos e intimamente ligados à prestação
de serviços ambientais, permitiu-se, sem a devida legitimidade, a contaminação
de representantes imobiliários, mineradores, loteadores, associações
empresariais, entre outros. Esses pássaros estranhos no ninho ambiental jamais
tiveram qualquer ligação com a folha de prestação de serviços ambientais
voluntários para a sociedade de Joinville.
Com uma
câmara do ambiente natural heterogênea como foi permitida pelo IPPUJ, os
legítimos membros foram diluídos e sua atuação minimizada em sua própria câmara
setorial. Portanto as ações em defesa do ambiente natural serão nulas, e não
terão a mínima possibilidade de lutar pela melhora ambiental contínua. Serão
sempre votos vencidos. Jamais terão qualquer poder de decisão ambientalmente
ético. A contaminação “dos diferentes” nas câmaras comunitárias vai garantir a
continuidade dos objetivos econômicos da atualidade. Continuará acontecendo o
“fazer de conta” bem como os tradicionais discursos ecológicos inflamados
continuarão sendo proferidos por aqueles que usam os recursos naturais de forma
privativa. Os legítimos ambientalistas continuarão sendo taxados de “ecochatos”
e “empatadores do progresso” pelos empreendimentos particulares construídos
sobre as áreas de preservação permanente. Por outro lado a imprensa movida pelo
capital (anúncios), não oferecerá o espaço que outrora ofertava, épocas de menor
corrupção e quando o “lobbi” econômico era menos canibal e mais ético.
Estarrecedora foi a ausência dos trabalhadores de Joinville, o que fica
constatado nas vacâncias de conselheiros titulares e suplentes nas câmaras
setoriais. O exercício do poder observado antes e durante a Conferencia
extraordinária do Conselho da Cidade articulou-se, ardilosamente, para garantir
a manutenção de privilégios e a preservação dos interesses do poder econômico
sobre os naturais. Os interesses sócio-ambientais continuarão no surrealismo,
colocando em permanente risco a qualidade de vida dos 500.000 moradores da maior
cidade do Estado.
O “balaio
de Gatos na Torre de Babel não previsto no Estatuto das cidades foi
inteligentemente implantado.
Gert Roland Fischer – Presidente da APREMA-SC e Titular da câmara setorial do ambiente natural
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