Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 698 - 08/2009
Região 8 - Comasa e  Iririú
 
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

Um balaio de gatos na Torre de Babel

         A preocupação da APREMA-SC reside no modelo montado pelo IPPUJ na organização e composição das câmaras setoriais. Entendemos que no conceito de cidadania e solidariedade humana e na filosofia do que deveria ser o Conselho da Cidade, seria indispensável o respeito a todas classes sociais com a montagem das câmaras setoriais oportunizando a participação de todos os setores de atividades econômicas da cidade, cada setor em sua câmara setorial especializada. Agrupando os iguais em seus próprios ambientes específicos, os resultados sócio-econômicos e ambientais seriam certamente diferentes dos que vão ocorrer em Joinville nos próximos anos, com uma cidade que não terá o enfoque ambiental e qualidade de vida maximizados para as gerações que estão chegando. Da forma como o comitê foi formado, a visão prioritária será inevitavelmente a do lucro privado.
        A comissão preparatória da Assembléia Extraordinária do IPPUJ permitiu montar uma legitima Torre de Babel que provocará o desentendimento ou, por outra forma, a submissão, permitindo aos mais fortes financeiramente manter os privilégios que vem sendo praticados na sociedade de Joinville: Garantir ao poder do capital os bons lucros e continuar socializando as perdas da qualidade de vida com a sociedade em geral.
        Esse triste exercício do poder-pelo-poder aconteceu – programadamente - na eleição dos 7 representantes que compõe do lado da sociedade civil organizada. Houvesse respeito e a formação das câmaras com a respectiva participação dos iguais, a sociedade não teria entrado nessa armadilha dos mais espertos.
        Na câmara setorial do ambiente natural, por exemplo, onde deveriam estar presentes tão somente as ONGs e movimentos sociais legítimos e intimamente ligados à prestação de serviços ambientais, permitiu-se, sem a devida legitimidade, a contaminação de representantes imobiliários, mineradores, loteadores, associações empresariais, entre outros. Esses pássaros estranhos no ninho ambiental jamais tiveram qualquer ligação com a folha de prestação de serviços ambientais voluntários para a sociedade de Joinville.
        Com uma câmara do ambiente natural heterogênea como foi permitida pelo IPPUJ, os legítimos membros foram diluídos e sua atuação minimizada em sua própria câmara setorial. Portanto as ações em defesa do ambiente natural serão nulas, e não terão a mínima possibilidade de lutar pela melhora ambiental contínua. Serão sempre votos vencidos. Jamais terão qualquer poder de decisão ambientalmente ético. A contaminação “dos diferentes” nas câmaras comunitárias vai garantir a continuidade dos objetivos econômicos da atualidade. Continuará acontecendo o “fazer de conta” bem como os tradicionais discursos ecológicos inflamados continuarão sendo proferidos por aqueles que usam os recursos naturais de forma privativa. Os legítimos ambientalistas continuarão sendo taxados de “ecochatos” e “empatadores do progresso”  pelos empreendimentos particulares construídos sobre as áreas de preservação permanente. Por outro lado a imprensa movida pelo capital (anúncios), não oferecerá o espaço que outrora ofertava, épocas de menor corrupção e quando o “lobbi” econômico era menos canibal e mais ético.
        Estarrecedora foi a ausência dos trabalhadores de Joinville, o que fica constatado nas vacâncias de conselheiros titulares e suplentes nas câmaras setoriais. O exercício do poder observado antes e durante a Conferencia extraordinária do Conselho da Cidade articulou-se, ardilosamente, para garantir a manutenção de privilégios e a preservação dos interesses do poder econômico sobre os naturais. Os interesses sócio-ambientais continuarão no surrealismo, colocando em permanente risco a qualidade de vida dos 500.000 moradores da maior cidade do Estado.
        O “balaio de Gatos na Torre de Babel não previsto no Estatuto das cidades foi inteligentemente implantado.

Gert Roland Fischer – Presidente da APREMA-SC e Titular da câmara setorial do ambiente natural

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