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Jornal O Vizinho - Ano XVIII – Nº 682 - 04/2009
Região 1 - Anita Garibaldi, Atiradores, Bucrein, São Marcos e Centro
 
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

Antibióticos - o mal que entra pela boca do homem


       
    A indústria animal está crescendo rapidamente na Ásia, América Latina e Caribe. E, em 2020, América Latina, Ásia e África serão os líderes na produção industrial de produtos animais.
            Crescendo? Por quê? Porque nessas “Ilhas de Riqueza” ainda é permitida a produção animal intensiva com técnicas de confinamentos em cubículos insalubres. As altas temperaturas, a falta de higiene e a superpopulação facilitam a proliferação de bactérias. Para sanar o problema, os produtores utilizam hormônios e antibióticos que, além de evitar infecções, aceleram o crescimento animal.
            Vários países do terceiro mundo já enfrentam bactérias resistentes a antibióticos devido a essa técnica de produção. Com o advento da gripe aviária, a Câmara dos Lordes, na Grã-Bretanha, admitiu, em seu território, a resistência humana aos antibióticos advinda da ingestão de carne tratada com essas drogas. E que tais alimentos viriam dos países latino-americanos. Com a carne do Chile e Argentina fora importada a Escherichia coli 0157 (que provoca problemas renais graves), por exemplo.
            Por isso, a antibioticoterapia já está presente em vários países desenvolvidos. A Noruega nunca permitiu o uso de antibióticos para animais de corte. A Suécia proíbe o uso desde 1986; a Austrália, desde 2004. A Dinamarca, produtora de 130 milhões de frangos ao ano, desde meados dos anos 90, baniu o uso de antibióticos para bovinos, aves e porcos. E a União Européia já interditou a utilização de 2 antibióticos na criação de frangos.
            Isto é fruto da pressão do consumidor que, ciente dos malefícios desse medicamento ao organismo humano, exige em sua mesa produtos produzidos segundo altos padrões de segurança alimentar, de bem-estar animal e de proteção do meio ambiente. Ou seja, quer alimentos mais naturais, livres de transgênicos, de agrotóxicos, de antibióticos...
            Mesmo assim, este consumidor consciente está com problemas. O jornalista Henrique Cortez trouxe à tona uma notícia assustadora: mesmo que você não coma carne, que você exija produtos orgânicos, vai ingerir os a
ntibióticos usados em animais porque estão presentes nos vegetais cultivadas em solo adubado com dejetos animais.
            No Brasil, impera a criação intensiva em cativeiro, com uso indiscriminado
de antibióticos e outros insumos... A estes problemas sanitários acumulam-se os problemas ambientais provocados pelo lançamento de dejetos de aves e suínos no solo e água, sem qualquer tratamento. A bacia hidrográfica do oeste catarinense – onde está a maior produção de animais de corte do estado - está morrendo em decorrência disso.
            Mas estes problemas, cuja solução é vital para a exportação brasileira de carne, não estão na pauta das nossas políticas econômicas, ambientais e sanitárias.
            E o consumidor brasileiro desses produtos nem pensa em comprar briga com a indústria farmoquímica, nem com os produtores que apostam nessa droga para aumentar o volume de produção.
            Se nos EUA a proibição dos antibióticos para animais só ocorreu após uma batalha judicial de 5 anos entre laboratórios e governo, quanto tempo levaria para ser implementada aqui???
            Se a proibição parece impossível agora, há outras coisas que podemos fazer.

Ana Echevenguá - advogada ambientalista

           
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