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Jornal O
Vizinho - Ano XVIII Nº 674
- 01/2009 |
Consciência ecológica
“O
homem é a coroa da criação”. O ser humano tem o sabor do oceano na lágrima. Na
composição química do seu corpo estão todos os preciosos metais que compõem a
Natureza. Ele tem a mesma proporção de líquido do Planeta Terra no seu corpo. Na
formação de sua estrutura física e espiritual estão presentes os estados sólido,
líquido e gasoso: natureza e homem são Universo-único verso de Deus!
Para Roger Garaudy “Crer que somos separados é que é ilusório. Os
homens somos como galhos de uma mesma árvore, ou como ondas de um mesmo Oceano”.
Roger denuncia na sua obra Apelo aos vivos, que “O homem
violou três infinitos. O infinitamente pequeno: ao domar o átomo e
liberar a sua fantástica energia. O infinitamente grande: ao transpor as
barreiras da Terra, viajando pelo Cosmo. O infinitamente complexo: através da
Cibernética”. Muito angustiado pelo avanço tecnológico, sem compromisso com
a vida, ele desabafa: "Optar pela energia nuclear é assassinar nossos netos".
Xamã, um
pagé americano, diz que ensina assim ao seu povo: Primeiro, a arte de escutar.
Segundo: que tudo está ligado com tudo. Terceiro: que tudo está em
transformação. Quarto: que a terra não é nossa, nós é quem somos da terra.
Jesus exclamou: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não
trabalham nem fiam... nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como
qualquer deles.”
O Mestre aponta para a serenidade das flores do campo, como um atalho na
busca do equilíbrio ecológico espiritual.
As flores dão nomes a mulheres, homens,
lugares, rios, países. As flores são alimentos e curam, também!
Esse equilíbrio da alma vai se conseguir na medida em que brotarem nos
canteiros do respeito às sementes da paz interior, da compaixão por si mesmo,
pelo outro e pelo Universo.Preservar é não desistir
de lutar pela vida, é ajudar a garantir às gerações a dádiva de viver! O cidadão
comprometido com a vida é capaz de interagir e ajudar a deter o poder de
destruição ao redor, mesmo sem ter nas mãos as prometidas verbas públicas. Ele
pode exercer a cidadania de uma forma pacífica, inteligente e gratuita:
indignar-se.
Para preservar é preciso formar cidadãos sentinelas da vida, que saibam
intervir no momento certo para se evitar o desperdício, o mau uso, o abuso, mas,
sobretudo, formar o educador do meio ambiente, capaz de ensinar “a tempo e fora
de tempo” como viver sem deixar um rastro de morte por onde passa.
É preciso formar educadores para assessorar a sociedade na administração
do que herdou. O Brasil pode dar ao mundo um grande exemplo de fraternidade, ao
propor um programa de reciclagem de vidas e a restauração do homem.
Quando o homem desperdiça água, luz, árvores, pensamentos positivos,
oportunidade de preservar-se, inteligência para interagir na preservação do
Planeta, está adubando com a própria lágrima o terreno da morte para se
destruir. Quando distribui lixo político, social, espiritual, emocional, e toda
a espécie de ações inconseqüentes, está infectando o espaço, semeando
transtornos. São crimes hediondos contra a vida.
A juventude recebeu de herança dos maus governantes, dos currículos
indecentes, dos “educadores” dormentes e dos pais omissos, um grande e
riquíssimo patrimônio... mal administrado, mal conservado, mal amado. É urgente
que se enfrente o maior desafio de todos os tempos: formar os valores que vão
substituir as mentes destruidoras por aquelas que têm sensibilidade para amar e
preservar. O slogan poderia ser: adote o seu planeta como bichinho de
estimação. É um desafio educacional.
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um
pode recomeçar agora e fazer um novo fim".
Ivone Boechat
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