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Jornal
O Vizinho - Ano XVII
– Nº 656 - 08/2008 |
Ponte pênsil do Comasa é atração turística
Pescador. Apesar de perigosa, profissão milenar resiste em Joinville

Visitantes do Paraná tiram fotos da ponte pênsil sobre o rio Comprido, no bairro
Comasa
A família Venâncio mora às margens do rio Comprido que corta praticamente ao
meio o bairro Comasa. Próximo à residência está a ponte pênsil que além de
grande fluxo de pedestres e ciclistas do bairro recebe turistas e visitantes. O
local é de encantadora beleza natural de mangue e permite que dali se chegue ao
Oceano Atlântico, navegando pela Lagoa Saguaçú e desviando das diversas ilhas da
Baía Babitonga que soma um total de 118.
Quando nossa reportagem chegou, o
pescador Samuel Venâncio chegava de uma pescaria com três amigos, às 11h da
manhã. Haviam saído no dia anterior, às 5h da madrugada e dormiram num
acampamento na Ilha Grande. Filhos e netos que moram por perto e vizinhos vieram
correndo. Frustração. Ventos fortes prejudicaram o trabalho. “Deu só uns três
quilos de deixe e ainda para ser dividido entre nós três”, lamentou o pescador
que também afirma estar cada vez mais difícil ter boas pescarias. “Tem gente
demais pescando na região”.

Venâncio com dois dos 13 netos
Do milenar ofício, Venâncio diz que os principais frutos são mariscos, baiacus,
tainhas e camarões. Agora a pesca do camarão está no período de defeso
(proibição temporária para a reprodução da espécie). Para piorar, ele diz que
julho e agosto são os piores meses da pesca. O que salva é o marisco, “catado
principalmente na foz do rio Tiatã”. Próximo à casa da família Venâncio moram
mais dois pescadores que vivem exclusivamente da profissão.
Para a quase totalidade dos mais de
meio milhão de joinvilenses, a cidade tem sua economia alicerçada na indústria.
A maior fundição da América Latina, instalada no bairro vizinho, Boa Vista, é um
dos mais importantes ícones. “Apesar de morar aqui no Comasa, me surpreende
saber que existem moradores que vivem só da pesca”, confessa Ademir Flores,
17anos. Milhares de joinvilenses sobrevivem exclusivamente dessa profissão.
Muitos, como é o caso de Samuel Venâncio, sem nenhum registro profissional ou
proteção social como a aposentadoria.
No fim do mês passado o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva transformou a Secretaria de Aqüicultura e Pesca em
ministério. Segundo o presidente, é preciso “mapear cada rio, lago e pedaço de
mar, cadastrar os pescadores e os tipos de peixes. A Embrapa pode ajudar a fazer
na pesca brasileira a mesma revolução que fez na agricultura nos últimos anos".
Agora é a hora de pescadores como o Venâncio se mobilizarem para a conquista do
mínimo de segurança e reconhecimento profissional.
Apesar de se restringirem à área da
Baía Babitonga e não enfrentarem o mar aberto, os pescadores enfrentam perigos
algumas vezes fatais. Um dos momentos mais difíceis Venâncio viveu com a mulher.
Uma ressaca arrebentou o cabo da âncora e ondas de até dois metros ameaçavam
virar a pequena embarcação. “Pulei para fora e fiquei dentro da água segurando o
barco para não perder tudo. Ela se manteve firme e corajosa, como sempre. Foi o
maior susto da minha vida”, admite o pescador.

Pescadores
chegam a casa depois de 30 horas de pescaria infrutífera
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