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Jornal
O Vizinho - Ano XVII
– Nº 665 - 10/2008 |
Esporte de altíssima periculosidade: remar no rio Cachoeira

Desolado, socó observa contaminação despejada
diariamente por indústria têxtil às margens do rio Cachoeira no centro da cidade
Ele nasceu em Porto Alegre - RS, mas vive em Joinville há 48 anos e se diz
“Catarina” de corpo e alma. Há seis anos mora no bairro Saguaçú e há dez
trabalha como motorista na Câmara de Vereadores de Joinville – CVJ. Divorciado,
Daniel Stamm tem três filhos e dois netos. O remo é uma atividade esportiva que
ele pratica há uns dez anos. “A Baía Babitonga é nosso quintal para as remadas.
É uma região muito linda”, diz. O complexo da Babitonga reúne 118 ilhas. Remar
pelos rios Palmital que nasce em Garuva e Parati (Araquari) que desembocam na
baía, é uma experiência de vislumbre por paisagens inesquecíveis, considerando a
preservação ambiental desses ecossistemas.
Todavia, remar com caiaque no rio
Cachoeira pode ser considerado um ato de loucura. A mistura de venenos
industriais e esgoto doméstico que ainda se despejam nos rios de Joinville têm
como condutor final o Cachoeira. Entrar nas suas águas sem impenetrável proteção
é correr risco de morte por seqüelas de contaminação ou contrair graves doenças
para o resto da vida. Apesar desse risco de altíssima periculosidade, Daniel
Stamm é um exemplo, entre tantos outros, que tem se aventurado ao desafio.
Stamm já remou com amigos durante
três dias na região da Cananéia, em São Paulo. “É muito parecido com a nossa
baía. Só que lá está ambientalmente preservado”. Cananéia e um ponto de grande
concentração de turismo e práticas esportivas e ecológicas. A primeira remada
pelo “Rio Catinga” como chama o Cachoeira a menina Carolina Rathunde Sandler, de
apenas cinco anos e filha de pais fundadores do Instituto Viva o Cachoeira – IVC
aconteceu há uns quatro anos relembra Stamm. Ele e os amigos decidiram enfrentar
o perigo. “Entre a decisão na primeira conversa e a remada foi-se quase um ano”,
explica. Entrar num rio com tanta contaminação exige não só decisão, mas muita
coragem. Talvez tenha sido isso que o tempo reuniu no grupo.
Stamm e um amigo saíram do
Espinheiros, próximo ao Joinville Iate Clube – JIC e desembarcaram no bairro
América, ao lado do SESC. “Uns 15 km de remada. As pessoas que nos viam
buzinavam, riam, gritavam de espanto ou nos chamavam de loucos. Foi muito
legal”, confessa o aventureiro. Depois dessa, já remaram mais duas vezes no rio
Cachoeira. As investidas confirmam o que o Jornal O Vizinho – JOV vem
registrando desde janeiro de 2007: “Há muita vida dentro e às margens do
Cachoeira aqui no centro da cidade. Muito, muito peixe inclusive”, confirma
Stamm. Ele não consegue entender como isso é possível dentro de tanta poluição.
É o que também comprova a exposição fotográfica patrocinada pelo JOV e que tem
circulado pela cidade intitulada: A Força da Vida no Rio Cachoeira.
Uma hora antes dessa entrevista,
Stamm passava pelo rio e vira água contaminada produzindo muita espuma sendo
despejada de bueiro no Cachoeira. “Todo dia se vê coisas desse tipo. Se se der
uma chance para o rio, ele se recupera”, acredita. Daniel Stamm se coloca à
disposição para ser contatado por quem deseja se integrar e se organizar num
movimento pelo retorno da prática esportiva no rio Cachoeira. O endereço
eletrônico para contato é
dcaiaquestamm@gmail.com.

Nas décadas de 1940 a 1960 as competições de remo
eram constantes no rio Cachoeira.
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