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Jornal O Vizinho - Ano XVII – Nº 658 - 08/2008
Região 4 - Garuva, Canela, Pirabeiraba, Rio Bonito e Dona Francisca
 
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Garuva tem em abundância uma das maiores riquezas do planeta

    

Gertrudes Ruiz Totoli e sua filha especial, Elisabete Totoli

       

        O Projeto de Recuperação Ambiental e de Apoio ao Pequeno Produtor Rural - Prapem/Microbacias 2 atinge 879 microbacias hidrográficas de Santa Catarina, o que representa 52% das existentes. São atendidos pelo projeto prioritariamente os pequenos agricultores familiares com renda de até dois salários mínimos por mês, empregados rurais e populações indígenas, totalizando 105 mil famílias residentes nas microbacias. O manejo e conservação de recursos naturais, a melhoria de renda e de habitação são as principais metas do programa. Financiado pelo Banco Mundial, é considerado um dos mais importantes projetos sociais para o atendimento de famílias empobrecidas destas comunidades.
        Segundo a engenheira agronônoma Joana Mac Faden, de Garuva, governantes e comunidade precisam se mobilizar para que este projeto (2) que termina no fim deste ano de 2008, continue. “Não há duvidas do quanto se conseguiu melhorar a qualidade de vida dos atingidos pelo programa. Mas, há muito o que se fazer, ainda”.  Faden e a presidente da Associação de Desenvolvimento da Microbacia do Rio Saí Guaçú, Gertrudes Ruiz Totoli, são unânimes: “É preciso se trabalhar os cuidados com as fontes e nascentes de águas das comunidades rurais. Muitas sofrem interferências graves que têm provocado suas mortes”.
        A região de Garuva é uma das mais ricas quando o assunto é nascentes e qualidade destas águas em Santa Catarina. Se Joinville, por exemplo, não reverter o grau de degradação ambiental de seus rios, há previsão de captar água de outros mananciais distantes, como do rio Itapocu. Mesmo que preserve, o crescimento da cidade já começa a exigir maior volume do líquido que as atuais fontes conseguem suprir. As nascentes de Garuva são um patrimônio de enorme valor, já que a água está se transformando em commoditie. Então, em futuro breve, é bem provável que Joinville precise comprar a água que a natureza produz em Garuva.
        A população de Garuva deve exigir dos seus governantes o que prevê a Constituição Brasileira: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. A esperança das lideranças envolvidas no Programa das Microbacias é de que haja continuidade (Microbacias 3). Sendo a água a seiva do planeta, ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal e ser humano. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim, esse projeto tem a responsabilidade de continuar investindo para que as águas de Garuva e região possam ser manipuladas com racionalidade, precaução e parcimônia. Para que haja futuro.

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