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Jornal
O Vizinho - Ano XVII
– Nº 654 - 07/2008 |
Rio muda data das mais importantes na vida do casal

Torcida se compunha principalmente por esposas,
noivas, namoradas, mães, irmãs e parentes dos atletas
Rolf
Fischer é representante comercial, mas trabalhou por 37 anos na já extinta
fábrica de conservas Stein. Casado com Cecília Fischer, 74, há 50 anos, tem três
filhas e quatro netos. Ainda viaja muito vendendo ligas de cobre e bronze para
indústrias do setor metal mecânico dos estados do Paraná e Santa Catarina. Quem
lembra do fato é a mulher: Eles tinham programado a data do casamento para o dia
31 de maio, um dia depois do aniversário dela e um dia antes do aniversário
dele. “Na última hora tivemos que mudar a data para a semana seguinte. Ele tinha
competição de remo naquele fim de semana”. Os dois riem muito do episódio e se
orgulham da recente comemoração dos 50 anos de casamento.
As competições de remo em Joinville
aconteciam nas raias próximas à Olaria do Emílio Stock, que existia no
Jarivatuba. Com o assoreamento do rio, mudou-se para o Espinheiros. “Não tinha
acesso fácil por terra. Então um rebocador levava uma chata cheia de gente,
daquelas que transportavam madeira dos portos de Joinville para o porto de São
Francisco do Sul”. As torcidas organizadas, femininas, eram uniformizadas e iam
a reboque.

A casa da foto estava onde hoje é o
estacionamento em frente ao Joinville Tênis Clube
Rolf Fischer lembra com saudade do período entre as
décadas de 1950 e 1970. Numa época de quase nenhum apoio, abandonou
definitivamente o esporte. Hoje lamenta. “Devíamos ter continuado nem que fosse
só como lazer”. A poluição tomou conta das águas a partir de 1960. “Dessa época
em diante era impossível entrar nos rios”. Isso também desmotivou sócios e
torcidas dos dois únicos clubes náuticos da cidade. “O outro era o Atlântico,
que depois mudou para Cruzeiro”, explica. Com os rios poluídos, por mais alguns
anos nadar e mergulhar só nas praias que existiam no Espinheiros e no “Farol,
atrás da Tupy Fundições. Ali havia uma prainha, pequena, de uns dez metros de
areia branca, próxima ao porto deles”. Hoje, só resta aos joinvilenses a praia
do Vigorelli. Sem areia e muita poluição.
O ano era 1960. Fischer e os amigos estavam em cima da ponte
ao lado da sede do clube, no centro da cidade, esperando a maré encher para
remar. Uma visitante de Porto União perguntou, espantada, quem havia “esgotado”
o rio. “Rimos muito. Ela nunca vira um rio que transborda nas marés altas e
quase seca nas marés baixas”. Ainda hoje causa estranheza mesmo em alguns
joinvilenses quando o centro da cidade é tomado pelas águas em dia ensolarado e
sem chuva ou em noite de luar. São as enchentes de maré de lua.

A casa da foto estava onde hoje é o
estacionamento em frente ao Joinville Tênis Clube
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