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Jornal O Vizinho - Ano XVII – Nº 655 - 07/2008
Região 15 - Araquari, Floresta II, Itinga, Santa Catarina e Profipo
 
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

 

Decisão da Funai potencializa graves conflitos na região norte de Santa Catarina



Mãe Guarani atenta aos quatro filhos no meio da rua pedindo esmola no centro de Joinville

      “Imagino que possa haver conflitos muito grandes e gravíssimos. Estamos preocupados. Como disse o padre Luis Fachini, não podemos incluir alguns e excluir outros. Não estamos resolvendo problema, mas criando-os. Precisamos promover uma discussão ampla com toda a sociedade para decidir a melhor região para se colocar os índios”, pondera o secretário de estado Manoel Mendonça, da SDR Joinville.
        A demarcação das terras indígenas pela Funai em áreas dos municípios de Araquari, Balneário Barra do Sul e São Francisco do Sul, que deve delimitar as terras Piraí, Pindoty, Tarumã e Morro Alto foi o tema de maior tensão na última reunião do Conselho de Desenvolvimento Regional. “A situação é grave. Se a reserva for implantada, não haverá tribunal neste país que reverta a decisão; e todos os proprietários de terras atingidas pela demarcação as perderão. No máximo, receberão pelas edificações, benfeitorias”, alertou os conselheiros o advogado Carlos Adauto Virmond Vieira.
        Acontecido no dia 19 de junho de 2008, no auditório do IAESC em Araquari, no evento promovido pela SDR Joinville conferiu-se a unanimidade dos discursos a exemplo do praticado pelo
presidente da Associação dos Proprietários de Terras Ameaçadas pelos Índios - Apis. “Não somos contra o resgate da dívida que a sociedade brasileira tem com os índios, mas não entendemos porquê a Funai escolheu locais de terras áridas, com reflorestamentos e tão próximas de centros urbanos numa região estrategicamente consolidada com portos, rodovias federais e estaduais, aeroportos e em expansão industrial”, diz inconformado, Salésio da Rocha Medeiros.

        A decisão da Funai, fundamentada em profundo estudo e pesquisa antropológica, concluiu que tanto o sul quanto o litoral do sudoeste do Brasil podem ser considerados parte do território histórico dos índios Guarani. “Após séculos de esbulho e o exacerbado crescimento econômico das suas terras tradicionais impulsionado pelas presenças das BRs 101 e 280, temos atualmente uma ocupação humana progressiva e desordenada nas terras Guarani da região”. A antropóloga Marianna Assunção Figueiredo Holanda conclui no documento publicado do Diário Oficial da União – D.O.U. nº89 de 12 de maio de 2008: “Os trabalhos dos GT (Grupos de Trabalho) de identificação e delimitação demonstraram que a região estudada é habitada em caráter permanente há pelo menos vinte anos pelos Guarani Mbyá. O forte vínculo que une todas as famílias que vivem na região indica que todo o litoral norte de Santa Catarina é terra tradicional Mbyá”.

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