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Jornal
O Vizinho - Ano XVII
– Nº 666 - 10/2008 |
Divisor de águas na cultura de Joinville
Como presidente, seis meses. Mas, sua atuação no desenvolvimento da cidade pela
cultura vinha de muito mais tempo. Desde que também assumiu a presidência da
Fundação Cultural de Joinville (FCJ), o vice-prefeito Rodrigo Meyer Bornholdt
contou com o comprometimento do artista plástico Charles Narloch. Tanto Narloch
quanto Bornholdt tiveram a coragem de tentar o que outros jamais arriscaram:
salvar o máximo do patrimônio histórico de Joinville concretizado em edificações
antigas como a casa que estava onde hoje se edifica o prédio de grande
supermercado que não tem raízes em Joinville; empreendimento forasteiro.
Perdeu a memória histórica da cidade
com a derrubada daquela “Unidade de Interesse de Preservação (UIP)”. A decisão
animou os que defendiam os interesses de outros proprietários de imóveis,
pessoas que não estão nem aí para a preservação cultural, mas apenas preocupadas
com os seus caixas polpudos da especulação imobiliária.
Todavia, a história há de reconhecer
que esta passagem de Bornholdt e Narloch pela FCJ é um divisor de águas. O
Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (SIMDEC) foi outra corajosa
decisão política de Bornholdt operacionalizada pelo especialista no assunto,
Narloch. Unidos pelo embate eleitoral do primeiro turno, ético, Narloch fez o
que se espera de um homem público: declinou do cargo já que não se sentiria
confortável diante do embate do segundo turno ainda na função que desempenhara
com inigualável esmero como presidente da FCJ.
Charles Narloch é um raro exemplo de
artista que decidiu “por a cara para bater” e fazer não só por si, mas por toda
uma classe. Minoria, infelizmente.
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