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Jornal
O Vizinho - Ano XVII
– Nº 648 - 04/2008 |
Transporte de massa
nos rios de Joinville
O
homem é, acima de tudo, um ser social. Mas, o instinto de sobrevivência é uma
das maiores forças de mobilização individual. Assim, se a barriga ronca de fome,
que se dane o meio ambiente ou o outro. Salvar a própria vida é mais instintivo
que deixar-se morrer para que sobreviva, por exemplo, o pé de palmito ou o
estranho que também pretende a mesma refeição.
A fome pelo
capital tem norteado, da mesma forma, a maioria dos empreendedores. Na
selvageria do mercado cada vez mais competitivo, empresas “matam” seus
concorrentes e o planeta. Com seus recursos naturais dizimados, está em
andamento um processo de destruição como jamais presenciado na existência da
Terra.
Alguns
perceberam que para o homem sobreviver é preciso primeiro proteger a natureza,
recuperar ecossistemas, enfim, manter o planeta vivo. Então, voltando para o
exemplo do palmito, muitos já sabem que ao invés de cortar a árvore é necessário
protegê-la, semear suas sementes e só depois cortar algumas plantas para delas
se alimentar. É uma consciência mundial conclusiva e óbvia.
Em Joinville,
o rio Cachoeira tem um ciclo de vida-quase morte. Foi o rio que permitiu à
cidade se transformar no mais pujante município catarinense. Ingratos, seus
maiores beneficiários também o transformaram no depositário dos piores
excrementos humanos e industriais. Agora, a cidade entra num ciclo de caos
urbano quanto a mobilidade. O Cachoeira e os demais rios da cidade se apresentam
como uma das mais viáveis possibilidades de solução do problema viário.
Visionários comprometidos com a melhoria da qualidade de vida não se intimidam
em afirmar publicamente que recuperar ambientalmente os rios e transformá-los em
malha hidroviária para o transporte urbano de massa é uma das mais viáveis
alternativas para a cidade. Nós, não só concordamos com estes como, desde já,
vamos abrir espaços para a discussão. Os rios que quase matamos têm tudo para
que se transformem nas vias da revitalização. Precisamos ampliar o ciclo para
vida-quase morte-vida do Cachoeira e demais rios de Joinville.
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