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Jornal
O Vizinho - Ano XVI
– Nº 641 - 02/2008 |
O engodo do flotflux
Finalmente a justiça fez valer o bom senso, e os equipamentos que compunham o
flotflux instalados no Rio Cachoeira, nos bairros Santo Antônio e Saguaçú, foram
retirados. O “elefante branco” que consumiu mais de cinco milhões de reais de
dinheiro público era outro exemplo de desperdício e descaso de governantes. O
flotflux, que foi desde o princípio rejeitado por ambientalistas, pode ser uma
excelente alternativa de “purificação” de águas no Piscinão de Ramos, no Rio de
Janeiro, que tem um ciclo fechado. Mas, aqui, no rio que sofre interferências de
maré várias vezes ao dia, e incontrolável vazão de chuvas e enchentes, o
resultado seria inócuo, garantem os especialistas. Mas, muitos o defendiam. Além
dos interesses econômicos (se todas as estações fossem instaladas, em torno de
quarenta milhões de reais seriam destinados ao projeto), empresários que ainda
praticam despejos criminosos de produtos químicos “lavariam a alma” com o flotflux. Isso porque esses não precisariam investir em sistemas de tratamento
dos seus efluentes, já que “logo ali na frente” haveria uma estação pública
fazendo essa “limpeza”.
O raciocínio entre alguns poucos
mercenários que maximizam seus lucros e fazem de tudo para socializar o
prejuízo, era óbvio: enquanto a prefeitura investe em várias estações de
tratamento e as instala no Cachoeira e em alguns dos seus afluentes, quem
pagaria essa conta e a do tratamento pelo resto da vida seriam os contribuintes,
e não os poluidores.
Ainda estão ali muitos restos do
elefante branco. As obras de concreto, principalmente. Apesar de terem causado
grande prejuízo financeiro e ambiental estes restos deveriam ser preservados e
destacados como exemplo a não ser repetido no futuro. O rio está sendo
despoluído (lentamente, é verdade) pela consciência dos seus moradores, por
conta da lucidez de alguns empresários e da prática da fiscalização pelos órgãos
ambientais. Não precisa de flotflux. Se quisermos acelerar, é só a prefeitura
fazer a parte que a ela cabe: captar e tratar todo o esgoto doméstico,
fiscalizar e multar os empresários infratores e promover a educação e a
conscientização ambiental. Em breve teríamos todos os nossos rios saudáveis.
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