Jornal O Vizinho - Ano XVI – Nº 639 - 01/2008
Região 10 - Adhemar Garcia, Fátima e Guanabara
 
Tiragem desta edição impressa:  10.000 exemplares

Insensatez do alcaide

       O prefeito de Joinville avisa que vai arrancar 46 figueiras na avenida Beira Rio. Afirma o alcaide, que as árvores colocam em risco os motoristas. Fomos investigar o “risco”, e a surpresa: algumas poucas pontas de raízes deformaram levemente o espaço à beira do meio fio. A avenida está intacta e não sofre qualquer risco das “perigosas árvores”. Exceto se algum motorista criminoso exceder a velocidade com as rodas encostando no meio fio. Aí tem outras soluções óbvias, pois é caso de polícia.
        Em frente à Secretaria de Habitação se pode verificar uma grande razão para não cortar as árvores: ali, uma das figueiras morreu. A margem desbarrancou e a beirada da pista está afundando. Como se vê, as raízes das frondosas árvores são uma proteção natural também para segurar a margem e proteger a avenida e os motoristas, e não o contrário, como afirmam os que defendem o corte.
        Mais adiante, as majestosas figueiras, já em fase adulta, produzem sombra para dezenas de veículos que estacionam diariamente no acostamento da via que sedia o Fórum e a Câmara de Vereadores, por exemplo. Todas servem como um refrigerador natural impedindo o superaquecimento do asfalto a partir do meio dia, período de maior intensidade dos raios solares naquela via.
        O “risco aos motoristas” pode ser interpretado como um deboche à inteligência dos cidadãos joinvilenses (caminhe por lá e verifique você mesmo (e)leitor). É uma justificativa fraca para a continuação do Boulevard, obra que vai arrancar a pouca vegetação de mata ciliar para dar lugar aos paredões de concreto. Aves, peixes, roedores e dezenas de outros animais que sobreviveram à poluição das indústrias e do esgoto doméstico (veja matéria na página 4) durante dezenas de anos, vão desaparecer definitivamente por conta dessa insensata decisão.
        O Boulevard, do jeito como se construiu em frente da casa de trabalho do alcaide, é um crime contra o pouco que o centro de Joinville ainda tem de natureza no seu caos urbano. Prestaria um grande serviço às futuras gerações se esse gestor público decidisse construir um Boulevard que recuperasse ainda mais a flora e a fauna do Rio Cachoeira no centro da cidade. Um grande serviço à vida.

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