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Jornal O Vizinho - Ano XVI – Nº 636 - 12/2007
Região 3 - Costa e Silva e Vila Nova
 
Tiragem da edição impressa:  10.000 exemplares

 

Continua despejo de dejetos químicos no Cachoeira



        Um tubo de despejo químico que vem do outro lado da rua onde está uma centenária indústria têxtil, aparentemente camuflado com uma enorme camisinha de grossa borracha que só é vista quando a maré baixa; e o despejo, por horas seguidas, numa manhã de sábado do mês de novembro, de produto químico que colore o rio com enorme mancha azul e fétido odor de amoníaco. Segundo moradores ribeirinhos, quase todos os fins de semana o Cachoeira ainda é tomado por líquidos multicores, enormes manchas de óleo e cheiros diversos. “Eles aproveitam para despejar tudo o que não devem quando não tem fiscalização, aos sábados e domingos. É uma vergonha. É preciso fiscalizar e multar essas empresas”, protesta, inconformado, morador que pede para não ser identificado.
        A denúncia também foi feita em recente reunião de moradores do Bairro Bucarein com representantes da SDR Joinville e da Fundema. O presidente Osni Fontan classificou o fato de “muito grave” e garantiu que a Fundema vai fiscalizar nos fins de semana, a partir de agora. “Vamos liberar o disque denúncia 0800 643 7788 também para os sábados e domingos e multar severamente os infratores”. A prática de despejo químico quando não há fiscalização tem sido recorrente em toda a cidade. Crimes ambientais devem continuar acontecendo na calada da noite. “Nossa intenção é atuar na fiscalização das 8h às 22h. Atualmente vamos só até às 19h”, explica Fontan.

        O gerente industrial da Companhia Fabril Lepper diz que a tubulação de borracha foi instalada pela empresa para proteger a encosta do rio de desbarrancamento. Ainda garante que a Lepper não comete nenhum crime ambiental: “Não há nenhuma restrição em lei que proíba o despejo de água colorida. Qualquer um pode jogar água de qualquer cor no Cachoeira”, defende Carlos R. Schulze. É bom lembrar que a água fica colorida por diluição de tintas ou de outros produtos químicos.  As tintas de malharias e indústrias têxteis têm em sua composição entre outros elementos: Arsênico, chumbo, selênio, antimônio, mercúrio, cádmio, bário. A conscientização ambiental deveria superar as legislações, pois sabemos que essas também falham ou são incompletas, muitas vezes. Se não é ilegal jogar “águas coloridas” e com fortes odores, pode ser, no mínimo, imoral.


       

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