Jornal O
Vizinho - Ano XV
– Nº 618 - 02/2007 |
Um bom exemplo do consumo responsável de energia partiu recentemente do Chile.
Autoridades do país realizaram campanha para que os funcionários públicos
abolissem o uso de paletó e gravata. Essa medida surgiu depois da constatação
dos gastos de energia no verão. Segundo dados do governo chileno, o uso freqüente
de aparelhos de
ar-condicionado corresponde a 60% do consumo em locais de trabalho. Por ser um
país de sociedade conservadora, os homens costumam se vestir normalmente usando
paletó e gravata. A medida do governo refletiu no meio empresarial onde um
grupo privado aderiu a campanha.
Não existem ainda dados estatísticos
que comprovem a eficiência dessa medida. Mas para o Brasil poderia ser um bom
exemplo de atitude responsável em relação ao consumo de energia. E também na
nossa cultura. Já que nosso país tem clima tropical e o uso freqüente desse
modo de vestir contradiz com nossas características.
Observamos
o uso da gravata em muitas repartições públicas, principalmente no judiciário
que preserva a formalidade no seu trabalho diário. Muitos advogados, deputados
e executivos de grandes empresas, utilizam a vestimenta para caracterizar seu
cargo ou posição profissional.
O
presidente da Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média
Empresa (Ajorpeme) Marcelo Molinari, entende que essa medida pode ficar em
segundo plano. “Acredito que temos dentro desse tema assuntos mais importantes
para tratar. Ações concretas que tratariam o problema diretamente. Como por
exemplo: o controle de resíduos poluentes, energias mais limpas e o consumo
consciente da população evitando cada vez mais o desperdício”, comenta
Molinari.
A pequena indumentária adquiriu ao
longo dos séculos uma importância notória na sociedade moderna. Na moda,
inspira elegância e oferece um certo ‘status’ para quem dispõe a usá-la.
Todas essas particularidades protagonizam um possível diálogo com os modos e
costumes do brasileiro. E conseqüentemente, a atitude simples de retirar a
gravata, pode sugerir muito mais que a diminuição do consumo de energia. Uma
reflexão nos valores entendidos por nossa sociedade.
Uso
consciente
O aquecimento global é assunto em
todos os grandes jornais do Brasil e do mundo. Cientistas declaram que a
temperatura da terra aumentará gradativamente. A projeção de catástrofes é
iminente. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre mudanças Climáticas
(IPCC), a temperatura crescerá três graus Celsius até o final do século 21.
De acordo com o IPCC o maior causador dessa transformação é a ação humana
sobre o planeta.
Tirar
a gravata pode ser um ato simples na concepção de algumas pessoas. Mas tudo o
que for em benefício do uso consciente de nossos recursos é válido. Diminuir
a agressão de tantos anos que a natureza vem sofrendo é responsabilidade de
todos.
História
da gravata
O uso da gravata pela sociedade remonta o século II. Em Roma várias
esculturas registram o uso dos “focales” romanos. Eram lencinhos amarrados
em torno do pescoço dos legionários com um pequeno nó. Serviam para proteger
o pescoço do sol. Também existem registros do uso dos “focales” por volta
do século III D.C pelo imperador chinês Qin Shi Huangdi.
Françoise
Chaile, autor do livro ‘la grande historie de la Cravate’ (A grande história
da gravata) fala sobre a influência deste ícone da moda e
identifica a Croácia como ‘pátria mãe da gravata’.
Por
volta do ano de 1635, vários soldados e cavaleiros foram para Paris manifestar
apoio a Luis XIII. Entre esses homens havia mercenários Croatas que chamavam
atenção por um xale amarrado de uma maneira diferente em volta dos seus pescoços.
A ‘moda Croata’ logo se espalhou por toda a França que desconhecia tal
indumentária. No reinado de Luis XVI ele foi aceito por toda a alta corte. A
expressão da moda ‘a la croate’ mais tarde originaria a palavra francesa
‘cravate’ (Gravata). A moda foi levada para a Inglaterra por Charles II, e
logo mais, se espalhou para as colônias do continente americano.
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