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Rede
Globo condenada à indenização
Joinville, SC, 07 de abril de 2006
Um conhecido advogado de Brasília entrou
com uma ação de indenização por danos morais contra a Rede Globo,
por esta ter divulgado matéria no Fantástico, dando a entender que o
causídico teria agido com descaso na administração dos bens de um
menor. Na matéria, veiculada em maio de 1999, o Fantástico afirma que
o advogado teria desperdiçado o patrimônio e vendido os bens do menor
a preço muito baixo. A matéria foi transmitida durante dez minutos em
rede nacional. Para o advogado, a reportagem foi levada ao ar com
diversas agressões à honra, à reputação, à dignidade e à sua
imagem, tanto pessoal quanto profissional, e isto diante da comunidade
onde trabalha há trinta anos.
A
justiça em 1º grau julgou procedente o pedido para condenar a TV Globo
ao pagamento de indenização no valor de R$ 120 mil. Para o juiz, a TV
Globo agiu com irresponsabilidade, ofendendo a reputação do Advogado,
pois a matéria dá claramente a entender que os bens do menor tinham
sido irregular e criminosamente dilapidados. O Juiz ainda lembrou que
todo o trabalho do Advogado se deu sob a supervisão do Magistrado da
Vara de Órfãos e Sucessões de Brasília, sendo que as acusações,
mesmo de forma indireta, também ofendem o próprio Juízo.
A
matéria foi feita com base em uma investigação do Ministério
Público, mas o Poder Judiciário não encontrou nada que pudesse ser
considerado irregular na forma como o Advogado e o Juízo conduziram a
administração dos bens do menor. A acusação foi de tanta gravidade,
que o Tribunal Estadual ainda aumentou o valor da indenização para R$
500 mil, mas a Rede Globo recorreu e o valor terminou diminuído para R$
120 mil.
Segundo
a Constituição Federal, todos têm direito a serem respeitados em sua
honra e dignidade, e quem quer que faça acusações, tem de provar que
elas são procedentes. É uma irresponsabilidade muito grande que
órgãos da imprensa divulguem investigações que ainda não foram
concluídas. O dano à imagem que uma reportagem acusatória produz é
gigantesco e não há como consertar o erro. No Brasil as pessoas muitas
vezes são acusadas publicamente e depois se descobre que na verdade
elas não tinham nenhuma responsabilidade. Por isso é importante que os
Tribunais continuem se posicionando e coibindo que reportagens
irresponsáveis continuem a manchar a honra de tantos inocentes.
Colaboração: Dr. Carlos Adauto Virmond Vieira, advogado, mestre em direito pela Universidade de Colônia/Alemanha.
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