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A
IMPORTÂNCIA DA DEMOCRACIA
Joinville, SC, 17 de Novembro de 2005
Em
meio à enxurrada de más notícias em relação à política e aos políticos,
é comum ouvirmos a triste conclusão de que a política não serve para
nada, de que os políticos são todos iguais, de que a democracia no
Brasil é um lamentável mal entendido.
Sempre que me deparo com
uma onda pessimista como essa me vem à lembrança (e faço questão de
difundir) uma brilhante campanha de valorização do voto, veiculada há
uns vinte anos nos EUA. Primeiro, porque ela é um exemplo de
criatividade, e, segundo, para deixar bem claro que o mal estar com a política
e os políticos é um mal que, de tempos em tempos, acomete instituições
e organismos tão consolidados como a democracia norte-americana ou a
conturbada França de hoje.
O título do anúncio ecoava
a voz rouca das ruas: “Político é tudo igual!”, mas logo
abaixo trazia um subtítulo questionador: “Será mesmo?”. O
toque de gênio daquela campanha vinha na seqüência, onde eram
mostradas, lado a lado, fotos de grandes vultos da política mundial.
Gente do bem e gente do mal: Gandhi e Hitler, Churchill e Stalin,
Roosevelt e Idi Amin, Kennedy e Mao Tse Tung, Lincoln e Mussolini.
O apelo final simplesmente coroava a estratégia brilhante: “Vote,
você pode fazer toda a diferença”.
É
importante termos a serenidade e o sangue frio para percebermos que não
existe parto sem dor, que é a partir de momentos tristes como o que
vivemos que as velhas práticas podem ser alteradas.
Não,
não se trata de um simples desejo de Poliana ou de uma visão
edulcorada da realidade. Veja o que diz Lawrence
Kohlberg,
psicólogo americano que se especializou em pesquisar a ética e a
moralidade. Suas palavras são uma lufada de ar fresco nesse ambiente
carregado que nos envolve: “As sociedades são passíveis de
evoluir dos estágios inferiores de moralidade para os superiores, como
resultado da evolução moral dos indivíduos.
Pr! ocesso
que pode ser acelerado pela exposição dos indivíduos a situações
que questionem as bases do raciocínio que sustenta suas convicções”.
Nós estamos
comprovando isso com a nova forma de governar o Estado, atribuindo aos
Conselhos de Desenvolvimento Regional o poder de gerenciar o orçamento
(regionalizado) e decidir sobre as prioridades de cada município, com
ótica no planejamento e desenvolvimento de cada
uma das 30 microrregiões.
Como
já sabiam os chineses, há milênios, as crises não revelam só os
problemas, mas, também, as alternativas e oportunidades de solução.
Por mais que façam transparecer todos os contornos da corrupção e dos
ilícitos praticados, são fundamentais, para o pleno funcionamento da
democracia, um Parlamento e uma imprensa livres, patrimônios e
pressupostos do Estado de Direito!
Só como ilustração, cito um fato ocorrido em 1956, no XX
Congresso do Partido Comunista da União Soviética, quando o sucessor
de Stalin, Nikita Kruschev, revelou ao mundo as infâmias cometidas pelo
ex-ditador. Depois de meia hora
desfiando um rol sem fim de acusações, do
meio da platéia atônita uma voz lançou o desafio:
-
”E você, camarada Kruschev, onde estava durante esse tempo todo?
Que fazia?”.
Fez-se
um silêncio sepulcral na sala. Kruschev parou imediatamente de falar.
Tirou os óculos, ergueu o olhar e devolveu o desafio:
-
“Quem falou?”.
Silêncio...
-
“Quem falou!?”, repetiu ameaçador.
Silêncio...
-
“Quem falou!!!?”, insistiu enfurecido.
O
silêncio permanecia sepulcral…
Kruschev,
então, baixou a cabeça e disse sorrindo:
-
“Pois é, camarada. Eu estava aí onde você está agora: quieto e
calado!”.
LUIZ
HENRIQUE DA SILVEIRA
Governador do Estado de Santa Catarina
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