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O Retardamento das Mudanças
Joinville, SC, 03 de Novembro de 2005
Em
Seja por cálculo ou oportunismo eleitoral, seja por incapacidade de
enxergar ou enfrentar a realidade, seja por impossibilidade de transpor
o círculo de giz das idiossincrasias ideológicas, o fato é que o
Brasil segue como o cachorro, andando em volta, para morder o próprio
rabo
Há quantos anos se fala de Reforma Tributária? Há quantos anos se
fala de Reforma Fiscal? Há quantos anos se fala de Reforma Política? Há
quantas décadas se fala de Reforma Agrária? Há quantos anos se fala
na absoluta necessidade de um novo
Pacto Federativo? Há quantos anos já não se fala mais de Pacto
Social?
Há 20 anos, o PIB da Califórnia (só do Estado da Califórnia) era
igual ao nosso. Hoje, é o dobro. E o da China, que era igual, hoje é
quase o triplo do brasileiro!
Por isso, chegamos ao que os norte-americanos chamam de “vanishing
point”, ou seja, ao nosso mais grave momento de implosão ética e
social. E isso tem relação direta, é conseqüência lógica do
adiamento, da delonga, da postergação no enfrentamento das causas
reais da crise social, o que reclama as reformas acima elencadas.
Nicolau Sevcenko, com a sua condição de profundo analista da
História, tem uma avaliação precisa sobre essa incompetência
brasileira para mudar o que tem que ser mudado: “Há um fato
fundamental e dramático sobre o tempo: ele é irreversível. Portanto,
cada decisão adiada, cada recurso desperdiçado, cada reiteração
caduca representa mais um cheque sem fundo sobre o futuro de uma
sociedade em agonia”.
O ex-ministro Bresser Pereira tem outra interessante reflexão sobre o
tema: “Existe no Brasil uma imensa dificuldade em enfrentar e dizer
a verdade. Em ser franco, em ser transparente. Governantes e governados
procuram sempre o eufemismo, a meia-verdade, o lado favorável dos
fatos. Se a verdade é desagradável é melhor deixá-la de lado. Se o
Brasil é subdesenvolvido, é melhor dizer que é um país de grande
potencial (ou ‘em desenvolvimento’). Se a desigualdade na distribuição
de renda é um escândalo, é preferível falar em prioridade para o
social”.
Quando era jovem, eu costumava me empolgar com discursos vibrantes. As
frases de efeito, simplesmente, me empolgavam.
Lembro-me de que, anos a fio, ecoou na minha cabeça aquela oração com
que Getúlio Vargas iniciou seu último discurso de posse:
“Trabalhadores do Brasil, hoje estais no poder. Amanhã, sereis o
poder!”.
Antes
eu costumava dar crédito ao que as pessoas dizem. Hoje, valorizo o que
as pessoas dizem, quando fazem o que dizem. E, mais ainda, se o fazem a
tempo e a hora, com senso de oportunidade, sem o oportunismo daqueles
que parecem lutar
pelo “progresso” do nosso subdesenvolvimento.
LUIZ
HENRIQUE DA SILVEIRA
Governador do Estado de Santa Catarina
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