O Vizinho: Artigos:
O TEMPO DO ONÇA E DELFOS
Joinville, SC, 14 de Agosto de 2005
Há
exatos 55 anos, entrava no ar a PRF-3, TV Tupi-Difusora, de São Paulo,
a primeira emissora de TV da América Latina, iniciativa do jornalista
paraibano Assis Chateaubriand.
Naquele
histórico 18 de setembro de 1950, Hebe Camargo já estava lá. Lima
Duarte, também! A atriz Yara Lins, falecida no ano passado, foi o
primeiro rosto a aparecer, na televisão brasileira, para um público
que, na época, era menor do que o de qualquer emissora atual, de canal
fechado!
De
lá para cá, a aceleração do desenvolvimento tecnológico foi de tal
magnitude que há quem diga que os principais fundamentos constitutivos
da raça humana foram profundamente abalados.
Hoje,
diante da onipresença e instantaneidade das TVs, da internet, dos
celulares, os conceitos de Tempo e Espaço estão de tal forma
relativizados que chegam a causar impacto, até mesmo, à nova geração,
contemporânea das mais modernas tecnologias.
Mas,
já não é estranho conversarmos, pela internet, ao vivo e a cores, com
alguém que está a milhares de quilômetros, inclusive para discutir até
detalhes de minutas de contratos. Assim, também, não nos foi
surpreendente poder acompanhar, segundo a segundo, todas as cenas trágicas
do fatídico 11 de setembro de 2001.
Para
a chamada comunidade internauta, cada vez se torna mais normal viajar
para distâncias incríveis, continuando “on line” com “emails”,
“Orkut”, e “Messenger” preferidos.
Perde-se
ou não os referenciais quando, em alto-mar ou a milhares de pés de
altitude, pode-se acessar o banco e fazer uma operação? É um real
time que chega a ser surreal, às vezes irreal! Que o diga o
extraordinário navegador Amir Klink!
Pode
haver algo mais parecido com o oráculo de Delfos do que a internet,
que, através de um Google, com seus mais de 60 mil servidores Linux,
que dispõem de mais de 5 Pentabytes (5 milhões de gigabytes) de
armazenamento em disco, é capaz de acessar mais de 4 bilhões de páginas?
Mais
incrível, ainda, é voltarmos para o primeiro parágrafo deste artigo e
constatarmos que, há apenas 55 anos, a televisão movida a válvula, em
preto e branco, sem vídeo tape, com apenas três horas de programação
diária, era a grande revolução.
Aquela
época, embora tão pouco distante, anterior ao transistor e ao
microchip, já pode ser considerada o “tempo do Onça”!
Por
falar em “tempo do onça”, foi vasculhando o Google que descobri a
origem semântica desta expressão. Ela se refere a coisas muito
antigas, vigentes nos oito anos em que o polêmico Capitão Luís Vahia
Monteiro, apelidado de “Onça”, foi governador do Rio de
Janeiro (1725- 1732).
LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA
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