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EXALTEMOS A PÁTRIA

Joinville, SC,  02 de setembro de 2005
       

        Apesar de as primeiras páginas dos jornais e revistas estamparem e de blocos inteiros dos telejornais mostrarem, há mais de 90 dias, o abismo vertiginoso em que mergulhou o mundo político de Brasília, não devemos nos render ao desânimo nem desacreditar da máxima de que, mesmo com graves defeitos, a melhor forma de governar os povos é a democracia.    
   
     Fatos ocorridos na semana passada, e os que dominarão esta que inicia, são minhas fontes de inspiração para tentar exorcizar o baixo astral que abala nossa auto-estima. Na verdade, essa crise deve nos levar a lutar por mudanças profundas, com base no tripé: novo pacto federativo, reforma política e reforma tributária. 
        Como uma demonstração de que o agosto fatídico havia acabado, já no dia 1o eram comemorados os 80 anos de Dom Tito Buss, primeiro bispo, e depois bispo emérito, de Rio do Sul, diocese que comandou por 31 anos, durante os quais aplicou com afinco o seu lema: "Loquere sanam doctrinam" (Pregar a Sã Doutrina). E, felizmente, continua fazendo-o, através de seus escritos semanais, que semeiam fé, cultivam esperança e espalham amor. 

        Num 3 de setembro como ontem, há 116 anos, nascia em Lages, Nereu Ramos, Governador de Santa Catarina, e único catarinense a exercer a Presidência da República. 
        Há 32 anos, num 4 de setembro, como hoje, o velho MDB indicava Ulysses Guimarães como seu “anticandidato” a presidente da República. Ele assumiu essa condição de candidato pra perder, com um discurso memorável:  "A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho, aladas de esperança. O ideal está no leme e o desconhecido se desata à frente (...)  Nossa carta de marear não é de Camões e sim de Fernando Pessoa ao recordar o brado ´navegar é preciso, viver não é preciso´”. 

        Em 6 de setembro de 1895, portanto, há 110 anos, o Governador Hercílio Luz editava a Lei 144, sancionando o Hino de Santa Catarina. Com música do pernambucano José Brasilício Sousa e letra do carioca Horácio Nunes Pires, compostas para exaltar  o fim da escravidão, suas estrofes finais dizem: “
Cada homem um bravo/Cada bravo um cidadão”. 
       
Uma boa lembrança, nesses tempos de tanta lambança e tão pouca esperança, para o 7 de setembro que, apesar de tudo, devemos comemorar na próxima quarta-feira. Porque, como dizia Ulysses: “Há homens que vivem contentes, mesmo que vivam sem decoro. Há outros que sofrem como em agonia quando vêem que há homens que a seu redor vivem sem decoro. No mundo deve haver certa quantidade de decoro, como deve haver certa quantidade de luz. Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros que têm em si o decoro de muitos homens”. 

        Comemoremos, sim, o dia da Pátria, de cabeça erguida. Nosso País e nosso povo são muito maiores e mais importantes do que os desvios de alguns que esqueceram a lição fundamental: a vida pública é um sacerdócio, uma missão em favor de todos, e não em favor de si. 

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA - Governador do Estado de Santa Catarina

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