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PASSADO PRESENTE



Joinville, SC,  17 de junho de 2005

        
        
       Neste sábado, quando os ingleses comemoram os 190 anos da Batalha de Waterloo, onde Napoleão foi derrotado definitivamente pelos países aliados, e nós convivemos com mais uma das nossas crônicas crises de governabilidade, é importante atentarmos para algumas lições da história.
        Quatro séculos antes de Cristo, o filósofo, poeta e estadista romano Sêneca ensinava: Não nos impressionemos com os que estão lá em cima, pois o que parece altura às vezes é apenas despenhadeiro.
        Em meados do século passado, o adre e escritor norte-americano Reinhold Niebuhr, pioneiro do Realismo Cristão, alertava: A faculdade que o homem tem de fazer justiça é o que torna possível a democracia, mas a tendência do homem para a injustiça é o que faz da democracia uma necessidade.
        Lá pelo final dos anos 70, o presidente do Sindipeças, Pedro Eberhardt, lamentava: Estamos, na verdade, conseguindo o mais difícil: fazer o País não dar certo”. 
        No final do século 19, o poeta e crítico francês Paul Valèry vaticinava: O poder sem abuso perde o encanto. 
        Pela mesma época, Nietzsche, o filósofo alemão nascido na Prússia, fazia uma profecia: "Será devido a razões morais que um dia se deixará de praticar o bem”, e dava um conselho: "Aquele que luta com monstros deve tomar cuidado para não se tornar um deles”. 
        Em fins do século 18 e início do 19, entre uma guerra e outra, o general e imperador francês Napoleão Bonaparte arranjava tempo para elaborar lúcidas reflexões, como esta: Quem teima em fomentar desordens civis e levantes políticos, expõe-se a ser vítima delas.
         Um século antes, o filósofo francês Charles de Secondat, barão de Montesquieu, já sabia que corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção de seus princípios. Ele também acreditava haver dois gêneros de corrupção: um quando o povo não observa as leis e outro quando é corrompido por elas – mal incurável porque reside no próprio remédio”. Mas sabia existir uma lógica em tudo isso: Quando os princípios do governo são corrompidos uma vez, as melhores leis tornam-se más, e voltam-se contra o Estado; quando seus princípios são sadios, as más têm o efeito das boas. A força do princípio arrasta tudo”. 
          Quando o Brasil ainda não completara cem anos, o filósofo francês Montaigne já enxergava o que, hoje, por aqui, muitos ainda não entenderam: “É comum vermos boas intenções levar os homens a resultados viciosos”. 

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

Governador do Estado de Santa Catarina

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