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PARLAMENTARISMO: UMA SAÍDA?



Joinville, SC,  01 de junho de 2005

        
        É verdadeiramente impressionante comprovar a eficácia dos sistemas parlamentaristas de governo, fruto da sua maior flexibilidade e agilidade para enfrentar situações de crise ou dar respostas a eventuais mudanças bruscas do cenário político.
        Definida a vitória do NÃO à constituição européia, ficou patente a mensagem envida pela urnas: os franceses estavam descontentes com a abertura dos mercados e com as reformas liberalizantes que vêm acarretando fortes cortes nos benefícios sociais.
        Constatado esse fato, bastaram três dias para que o presidente Jacques Chirac afastasse o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin e nomeasse, em seu lugar, o até então ministro do Interior Dominique de Villepin, que há vários meses vinha criticando a ação do governo ao qual pertencia.
        Sem crise, sem solução de continuidade, sem solavancos institucionais. 
        No Brasil, infelizmente a idéia do parlamentarismo foi conspurcada ao ser usada como remendo golpista contra a posse do vice-presidente João Goulart depois da renúncia de Jânio,em 25 de agosto de 1961. 
        Mais de 30 anos depois, conforme previsto no art. 2° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988, em 21 de abril de 1993 os eleitores brasileiros foram chamados a participar de um plebiscito que definiria a forma de governo (República ou Monarquia Constitucional) e o sistema de governo (Parlamentarismo ou Presidencialismo). 
        Lamentavelmente, alguns partidos preferiram apostar em seus projetos de poder, jogando todas as fichas na propaganda contra o parlamentarismo.
        Derrotada a boa idéia, por sinal embaralhada com a aberração da escolha entre monarquia constitucional ou República, passamos a conviver com um presidencialismo de coalizão que a cada dia mostra-se mais impraticável.
        Falar em Parlamentarismo, hoje, pode ser visto como sutil estratagema de esvaziamento do poder do presidente Lula ou claro mecanismo de usurpação do seu direito à reeleição. Isso, no entanto, não deve nos inibir de analisar a possibilidade de agendar novo plebiscito aproveitando o próprio pleito eleitoral de 2006, cujo resultado, caso favorável ao Parlamentarismo, seria aplicável somente a partir de 2010. 
        Se colocarmos de lado as paixões partidárias e os naturais e legítimos anseios pelo poder, o parlamentarismo emerge, naturalmente, como um sistema muito superior, que traz um equilíbrio institucional muito maior, muito mais legitimidade democrática e uma possibilidade de participação muito maior. Outra coisa que o Parlamentarismo traz, e que é a sua essência e maior virtude, é a responsabilidade política e jurídica dos governantes, que devem se comprometer com um Programa de Governo. Mais do que isso, o Gabinete de Governo só se materializa se obtiver apoio da maioria do Parlamento, o que, automaticamente, garante a necessária e antecipada aprovação de todas as matérias constantes da plataforma vitoriosa, eliminando a necessidade das barganhas políticas em busca de uma governabilidade que, via de regra, transforma o governo em refém de fisiologismos e outros apetites. 
        Repito um pensamento de Bernard Shaw que há muito tempo exerce influência poderosa na minha forma de encarar o mundo: "Algumas pessoas vêem as coisas como são e perguntam": "Por quê?" . Outras sonham com coisas que nunca existiram e perguntam: "Por que não?". 

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

Governador do Estado de Santa Catarina

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