você está em www.ovizinho.com.br

O Vizinho: Artigos:       

50 ANOS, AMANHÃ



Joinville, SC,  14 de Abril de 2005

        
 

       Neste 18 de abril, completa-se 50 anos da morte do físico alemão, nacionalizado norte-americano, Albert Einstein. Além de autor da Teoria da Relatividade e vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1921, ele foi também um humanista de escol.
        “Época triste a nossa! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito“, constatava,
atormentado com as conseqüências das suas pesquisas e descobertas. \"É mais fácil mudar a natureza do plutônio do que a natureza maldosa do homem”, atestava, desiludido com o caminhar da humanidade.
        Sob os escombros da II Guerra, ele, assim como muitos outros humanistas, vivia sob o influxo do “mal estar da civilização”, que
, em 1929, Freud já havia detectado, advertindo contra o espectro da barbárie que começava a pairar sobre os destinos da Europa.
   
     Mal estar brilhantemente diagnosticado pela filósofa alemã Hannah Arendt, que ensinava que somente onde houver razão para suspeitar que as condições poderiam ser mudadas e não o são é que surgirá o ódio”.
        E ele surgiu, com a ferocidade e irracionalidade conhecidas!

        Para entendermos como se chegou àquela hecatombe, e porque persistem as razões que lhe deram causa, basta analisarmos, sob a ótica de Arendt, como a História, mestra da vida, foi e é continuamente desprezada.
        Ironicamente, no mesmo
18 de abril de 1955, portanto há também exatos 50 anos, tinha início a Conferência Internacional de Bandung (Indonésia), da qual participaram 29 países da Ásia e da África. A reunião tinha por objetivo lançar uma verdadeira guerra contra o subdesenvolvimento, o racismo e a dominação colonial.
   
     Foram necessários 35 anos para que, em 1990, o presidente De Klerk, da África do Sul, declarasse o fracasso do apartheid e o fim das proibições aos partidos políticos, incluindo à ANC (Congresso Nacional Africano) e para que Nelson Mandela fosse solto da prisão.
        Durante 42 anos, de 1948 a 1990, a elite branca sul africana jogou o jogo \"não veja o mal, não ouça o mal, não fale do mal\", a materialização dos três macaquinhos alienados, que nada vêem, nada ouvem, nada falam.
        Em relação
à dominação colonial - ao velho estilo - e ao racismo - aos moldes do apartheid -, até podemos dizer que avançou-se bastante, mas, quanto ao subdesenvolvimento, certamente ainda resta muito a ser feito. Calcula-se que exista, hoje, 1 bilhão de pessoas morando em fave! las em todo o mundo, e que, em 2030, esse número deverá chegar a 2 bilhões. Há regiões africanas onde mais de 30% da população é portadora do vírus da Aids.
   
     O padre, teólogo e escritor norte-americano Reinhold Niebuhr dizia, com toda propriedade, que \"a faculdade que o homem tem de fazer justiça torna possível a democracia, mas a tendência do homem para a injustiça faz da democracia uma necessidade\".
        Oxalá consigamos dar conta dos desafios que o
subdesenvolvimento de vastas regiões da Terra nos impõe e, assim, a democracia continue sendo possível e necessária.

     

 LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA  
Governador do Estado de Santa Catarina

Fim do Artigo  -  [Voltar para Artigos]


Este sítio: www.ovizinho.com.br
[Topo da Página] [Principal] [Mapa do Sítio / Seções] [Busca Interna] [Jornal]
[Anuncie Aqui] [Contato] [Faça Seu Sítio Conosco] [Novidades]   [Informações e Negócios]
© 2000. Jornal
O Vizinho® / Bureau de Comunicação e Eventos Ltda. Vide notas.

Melhor visualizado em IE5, com vídeo true color, 800x600.

Fim da Página