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CENSURA, NUNCA MAIS
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de Julho de 1976: os EUA comemoravam duzentos anos da sua independência. Por
aqui, começávamos a sair do auge do período ditatorial, sob o
despotismo “esclarecido” do general Ernesto
Geisel. Mas a Censura continuava atormentando
os meios de comunicação, especialmente os jornais da imprensa
alternativa. Esta, porém, não se deixava calar facilmente. Muitas
vezes conseguiu ludibriar a Censura, assim como faziam nossos melhores
compositores, Chico à frente. Numa
sacada de gênio, o jornal Movimento decidiu “homenagear” os
EUA e sua independência, publicando um artigo especial sobre a história
da Revolução Americana e – toque de gênio! - um boxe com a Declaração
de Independência dos EUA. Quem
já leu a Declaração sabe que se trata de um libelo democrático, um
verdadeiro convite aos povos para que tomem seus destinos em suas próprias
mãos. Como nesta incrível passagem: “Quando uma longa série de
abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto,
indica o desígnio de reduzi-los [os homens] ao despotismo absoluto,
assiste-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e
instituir novos...”. Pânico
entre os censores! Esse conceito “subversivo” não podia ser
publicado. Era uma provocação falar em abusos e usurpações! Era uma
analogia sub-reptícia falar em despotismo absoluto! E, pior, no final
ainda se fazia um chamamento à revolta! Impossível permitir sua
publicação... Até
que um jornalista, tentando esconder o riso e a ironia, fez a pergunta
que não queria calar: “Vocês têm certeza de que vão censurar um
texto histórico, a Declaração de Independência, e ainda por cima dos
EUA?”. Dúvida,
angústia, stress, uma azáfama que lembrava os Irmãos Marx (os do
cinema-pastelão). Por fim, depois de várias consultas aos escalões
superiores, a decisão foi pela censura total do texto. Como
sempre fazia, a direção do jornal Movimento usava a própria
arbitrariedade para contra-atacá-la. Sempre que era vítima de Censura,
enviava cartas relatando o ocorrido aos principais jornais do País e às
agências internacionais. Escândalo
mundial! Escritores, como Gore Vidal, senadores, como Frank Church,
grandes jornais, como o New York Times, comentaram e ironizaram o
fato. Fracasso
retumbante dos censores! Toda a grande imprensa brasileira noticiou a
censura feita e, pior (para eles, claro), publicou na íntegra a Declaração
vetada.
Joinville, SC, 04 de Abril de 2005
Governador do Estado de Santa Catarina
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