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A TORRE E A PONTE
Joinville, SC, 24 de Fevereiro de 2005
Há
exatos 41 anos, no dia 27 de fevereiro de 1964, o governo
italiano fazia um apelo ao mundo para que o ajudasse a salvar a Torre de
Pisa, que ameaçava desabar.
Os problemas com aquele monumento começaram já durante as obras, devido ao solo instável, conhecido como Campo dos Milagres. A velha torre de mármore, que começou a ser erguida em 1173, levou quase 200 anos para ser concluída, prolongando-se até o ano 1300. Desde então, e lá se vão mais de 700 anos, a "Torre Pendente" vem desafiando a gravidade, tendo chegado a inclinar-se mais de 4 metros (seis graus em relação ao eixo vertical).
Em 1990, ela foi fechada devido a riscos de desabamento, e assim ficou por longos onze anos. Nesse ínterim, várias tentativas foram feitas, mas apenas em 1999, ou seja, 35 anos depois do dramático apelo, um plano para impedir o colapso foi bem-sucedido.
Mas valeu a espera e toda a ajuda recebida (US$27 milhões). Em 17 de junho de 2001, a Torre voltou a ser reaberta para visitação. Hoje, depois de a restauração ter corrigido a inclinação em 45 centímetros, a torre se apresenta do mesmo jeito que estava 300 anos atrás, o que garante sua sobrevivência por pelo menos mais dois séculos.
Não temos uma "Torre Pendente" a nos assombrar, mas, infelizmente, Santa Catarina tem a sua "Ponte Periclitante".
Ícone do turismo catarinense (e por que não dizer, nacional!), a ponte Hercílio Luz está fechada para o tráfego de veículos, desde 22 de janeiro de 1982.
Pelo seu valor histórico, cultural e turístico, é fundamental que ela seja revitalizada, respeitando suas características originais. Devido ao custo altíssimo (quase 100 milhões de reais!), estamos fazendo o mesmo apelo, tão veemente quanto aquele feito pelos italianos, dirigido às empresas públicas e privadas, com as quais pretendemos formar parcerias para salvar a velha senhora que liga a Ilha da Magia ao Continente.
Com esse intuito, criamos a Comissão para a Revitalização da Ponte Hercílio Luz, reunindo dezenas de instituições, entidades e personalidades, sob a presidência do empresário Alfredo Felipe da Luz Sobrinho, Diretor de Assuntos Institucionais da nossa grande e respeitável Sadia, e neto do Governador que a construiu.
Reunida no último dia 14, a Comissão deliberou pela integral restauração da Ponte, a fim de permitir, inclusive, o tráfego de veículos, já que a diferença de preço entre as obras de mero salvamento e a recuperação total é irrelevante.
O próximo passo é buscar parceiros para alavancar os recursos necessários à recuperação. Com os 15 milhões que já disponibilizamos no Prodetur Sul, a possibilidade de dispor de dinheiro do FUNDOSOCIAL, recentemente aprovado pela Assembléia, e Felipe Luz à frente, certamente não esperaremos 35 anos para ver a nossa Ponte recuperada. Talvez quatro anos.
Na cerimônia de reabertura da Torre de Pisa, em junho de 1971, o tenor Andrea Bocelli cantou a "Missa de Réquiem", de Verdi.
Quisera pudéssemos contar com Jobim, ou Elis, quando da inauguração da ponte rediviva, para que nos encantassem com a poesia das Águas de Março, que nos revela que há "no rosto o desgosto", pelo "estilhaço na estrada", pelo "fim do caminho", mas fala também no "fim da canseira", na "luz da manhã", no "tijolo chegando". Encerrando sua genial brincadeira musical com essa injeção de energia vital: "É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã / É um resto de mato na luz da manhã / São as águas de março fechando o verão / É a promessa de vida no teu coração".
Melhor que isso? Só se pudéssemos
ressuscitar o Zininho e a Neide Maria, para exaltarem, em dueto:
"Um pedacinho de terra, perdido no mar.... Um pedacinho de terra,
beleza sem par. Jamais a natureza reuniu tanta beleza! Jamais algum
poeta teve tanto prá cantar!".
Governador do Estado de Santa Catarina
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