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A casa é conjugada. Nos fundos moram os pais. Na frente, filho, nora e neta, de
oito anos. Família de trabalhadores, de gente do bem. Madrugada, 2h30 de
sábado, 09 de abril de 2005. Bairro Iririú, vizinhanças do Saguaçu. Região
tranqüila e boa de morar. A família vive ali há 20 anos, sem muitos
sobressaltos. Alguém bate forte à porta da frente. Vozes da rua gritam
"pega ladrão". Os moradores se acordam e escutam "um bando de
gente pulando o muro". Correria, gritos, socos, pontapés. Parecia que a
casa estava sendo demolida. Corpos sendo jogados contra as paredes. Porta sendo
arrebentada. Janelas explodindo e cacos de vidro invadindo a cozinha.
A menina de oito anos entra em
pânico. O medo toma conta da família. Pai e filho se comunicam por telefone e
decidem, sabiamente, não abrir nenhuma porta ou janela. Parece que vão demolir
a casa ou entrar nela. Ligam para a polícia. Ouvem mais um barulho forte de
vidro quebrando. É o da porta traseira do carro que fica na garagem aberta. Som
de lataria amassando. Era o de um corpo sendo jogado no teto do mesmo carro. A
família se prepara para o pior. Nenhuma arma em casa para se defender do bando
que está dentro do terreno demolindo tudo e quase entrando na casa. Só resta
rezar e esperar. Passados os minutos que pareciam horas de terror, as vozes se
distanciam e sobram gemidos.
A polícia chega meia hora depois do
telefonema. A suposta vítima, um jovem de uns 16 anos, com o rosto quase
dilacerado e o corpo surrado, pede proteção à família que decide abrir a
porta e ver o que sobrou. Grandes prejuízos materiais, na casa, no muro, no
veículo. O maior, no entanto, emocional. A sensação de impotência, de total
desproteção. Que a qualquer momento podem entrar no seu quintal, derrubar tudo
e fazer o que quiser com todos da família!
Era uma briga de rua que invadiu a
privacidade de um lar. Violência crescente transformando gente do bem em gente
assustada, desesperada... O prejuízo foi 100% da família, a verdadeira
vítima.
Isso pode acontecer na sua casa, a
qualquer momento. Triste, mas real, infelizmente.
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