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Escola ideal e a violência
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Joinville, SC, 09 de outubro de 2004
Aproveitando a proximidade do Dia do
Professor... Nada horroriza mais o norte-americano que o baixo nível
das suas escolas. Por décadas buscam identificar os problemas da
Educação e, além de criticar, propõem soluções. Também ficam
preocupados com a violência que ocorre dentro das escolas,
principalmente porque as vítimas são sempre crianças indefesas. E
os resultados de duas pesquisas chegam a surpreender.
Um estudo recente da Universidade
de Rochester mostrou que o tamanho da escola influi no aprendizado,
especialmente para a matemática. Talvez você esteja imaginando que
as grandes escolas possam oferecer mais recursos aos estudantes,
certo? Errado! Mas não se engane com as pequenas.
Os pesquisadores constataram que os
estudantes aprendem menos em escolas pequenas e consideravelmente
menos nas grandes escolas, principalmente nas que têm mais de 2.100
estudantes. E concluíram que o tamanho ideal para a escola é de 600
a 900 alunos. Ou seja, não adianta brigar com as autoridades
para que se coloque uma escola perto de sua casa, escolas muito
pequenas são tão ruins quanto as grandes.
A pesquisa foi realizada entre
aproximadamente 10.000 estudantes de 789 escolas de ensino médio públicas,
Católicas e particulares de elite dos Estados Unidos da América,
durante quatro anos, medindo-se o aprendizado adquirido.
E o aprendizado atinge mais uns estudantes
que outros. Isto é, o tamanho é especialmente mais importante nas
escolas que atendem os estudantes menos favorecidos, ou seja, os mais
pobres, o que era de se esperar, certo? Em escolas que tenham, na
maioria, estudantes de baixa renda ou pertencentes a minorias, o
aprendizado cai assim como o tamanho afasta-se do ideal. Ou seja, os
menos favorecidos têm um ensino de pior qualidade. Os mais ricos têm
melhor escola. Circulo virtuoso contra circulo vicioso?
Já uma outra pesquisa mostra a importância
dos bons professores e funcionários da escola. Enquanto muitas
escolas de ensino médio dos Estados Unidos equipam-se para combater a
violência estudantil com detectores de metais, câmeras de vídeo
para vigilância e guardas de segurança, pesquisadores da
Universidade de Michigan confirmam que a presença de um único
professor nas áreas onde ocorrem a maioria dos casos de violência é
um forte inibidor.
Esta pesquisa realizada com estudantes,
professores e administradores em cinco escolas mostrou que toda violência
ocorreu em locais onde poucos ou nenhum adulto, especialmente
professores, estavam presentes. Cerca de 40% dos incidentes acontecem
nos corredores nos períodos entre aulas, enquanto outros 20%
acontecem nas lanchonetes. Outros locais perigosos incluem as quadras,
os vestiários e estacionamentos, logo na entrada ou saída das aulas.
Os pesquisadores observaram que embora a
violência escolar ocorra em locais da escola ou próximos e que os
funcionários ficam profundamente aborrecidos com os eventos
violentos, a maioria não acredita ser sua responsabilidade
profissional intervir contra a violência nesses locais.
Os próprios professores apresentam um bom
senso de propriedade e responsabilidade dentro de suas classes, onde
quase não ocorre eventos violentos, mas são relutantes em estender
esse senso para as áreas indefinidas. Não foi definido que deveriam
agir. E não agem! É preciso que os diretores convençam seus
professores a "passear" e intervir para reduzir a violência.
Antes que uma obrigação profissional, é uma obrigação moral!
De fato, quando pensamos na Educação,
estamos preocupados com o currículo e os professores. Como vimos,
tamanho é documento e a violência uma presença cada vez mais
constante. Educar para a paz é educar para a vida. E para isso é
preciso um cidadão de primeira categoria: você!
Se você pensa que isso não lhe
interessa, seja porque seus filhos estudam em uma escola particular ou
até nem tenha filhos, pense bem, quem os assassinos oriundos das más
escolas irão atacar? Você, os seus, os meus... Seja um cidadão
inteligente, se não for por amor ao próximo que seja por temor de um
mau próximo.
Mário Eugênio Saturno é
Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto
Municipal de Ensino Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado
mariano. (Email: saturno@dea.inpe.br)
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