Obrigada pela
mão que não tenho
Uma das vinte mil vítimas do
medicamento talidomida, que provocou nascimentos de crianças sem os membros
superiores e ou inferiores, total ou parcial, é a entrevistada dessa edição:
Dione Guimarães de Oliveira Santos. O remédio, que foi receitado por médico
para que se reduzisse o enjôo de gravidez da mãe, deixou como seqüela, Dione
sem a mão direita. Ela escreveu o Poema das Mãos, para sua mãe:
"Eis-me
aqui Senhor, estou pronta para ser seu instrumento assim como sou, com minha
deficiência e aceitação. Enquanto converso contigo, olho as minhas mãos,
são tão bonitas. A esquerda com cinco dedos, a direita sem nenhum, mas nela eu
consigo ver a obra prima que quiseste realizar em mim. Como esta mão é
importante Senhor, sem ela eu não poderia fazer quase nada. Com ela consigo
tocar violão, piano, dirigir meu carro, fazer tricô, crochê, enfim, todas as
atividades da vida diária.
Quando
as pessoas me vêem tocando violão e cantando, feliz da vida, elas se
emocionam, antes isso me deixava triste, hoje, porém, fico contente porque sei
que é ‘Você’ que está falando a elas, através de mim!
Olha,
nem sei como agradecer pela página do evangelho onde me encontro: (João-9) que
diz: ‘E passando Jesus viu um cego de nascença e seus discípulos
perguntaram: Mestre, quem pecou para que nascesse cego, este homem ou seus pais?
E respondendo Jesus disse: -Nem este homem, nem seus pais, mas isso aconteceu
para que se manifestassem nele as obras do Pai’!
Sei
que aconteceu comigo Senhor, aquilo que você carinhosamente preparou. Obrigada,
pois é assim que eu consigo falar de Você. Quero contagiar o mundo com seu
amor. Quero que todas as pessoas sejam felizes assim como eu sou.
-
Obrigada pela beleza que as crianças depositam diariamente na minha vida.
Obrigada por meus pais e irmãos, ‘Minha primeira escola de vida’. Obrigada
por meu esposo e filhos que hoje dividem comigo a alegria de viver. Obrigada
pela mão que não tenho, porque sei que você a entregou a alguém que
precisava mais do que eu, porque sabias que eu não precisava dela. Obrigada
porque sua mão se coloca no lugar da minha e me completa sempre que preciso.
Obrigada por essa beleza que não acaba nunca, e que minhas mãos sempre falem
dela. Obrigada porque minha vida não poderia ser melhor do que é, única e
simplesmente porque Você está nela".
Ao invés da
revolta, a aceitação. Do limão, a limonada. Você precisa conhecer o trabalho
que esta moradora do Guanabara realiza em favor dos deficientes. Um exemplo de
vida!
Fim do Editorial -
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