Polícia, para quê?
São onze horas da noite de
segunda-feira, 07 de maio. Latidos, galhos quebrados e assobios são ouvidos
pelos moradores da, até pouco tempo pacata, rua Treviso. Os vizinhos mais próximos
saem para ver o motivo dos ruídos.
Descobre-se então que um dos moradores embrenhou-se no matagal do terreno
baldio ao lado de sua casa, a procura dos dois rapazes que vira à
espreita sobre o muro, e cujos vultos percebeu sumirem na escuridão.
Nosso vizinho sinaliza e entendemos que devemos chamar a polícia. São onze e
quinze da noite. Os moradores começam a se comunicar por telefone e a maioria
toma conhecimento do que está ocorrendo. Mas preferem esconder-se, a exemplo
dos Morros do Rio e favelas de São Paulo. Aliás, é a tendência da segurança
pública joinvilense se as ocorrências continuarem neste ritmo frenético:
em pouco tempo poderemos comparar Joinville à realidade das maiores
cidades do país.
Arrastam-se as horas e a angústia aumenta. A polícia demora. Outro vizinho faz
a chamada. "Há muitas ocorrências na cidade de Joinville, por isso é
possível que a viatura demore", justificam. Certo, mas enquanto isso
aquele morador continua no mato. Assombrado com os freqüentes roubos, ele
decidiu fazer justiça com as próprias mãos, enquanto a Polícia não chega...
Somente na rua quatro casas foram assaltadas desde meados de dezembro. Uma das
moradoras, três dias após o roubo, colocou sua casa à venda e foi pagar
aluguel. Sorte dela. Sua casa foi arrombada novamente, na semana passada, no
mesmo dia em que houve tentativa de roubo na casa vizinha - que já havia sido
assaltada em 16 de dezembro -. A situação é insustentável.
A tensão aumenta a cada segundo. E, a polícia? Bem, chamou-se novamente.
"Mas quantos são? São louros, morenos? Fortes?" Por incrível que
possa parecer estas perguntas foram feitas por telefone, como se fossem
relevantes mediante à situação emergencial do momento. A voz no telefone
mostrou-se desesperada e deve ter sido percebida pelo interlocutor. O policial não
fez mais perguntas e informou que já estaria sendo enviada uma viatura. Ficamos
tão indignados, que a demora pareceu-nos proposital para que os suspeitos
pudessem fugir.
Mas, culpar à quem? Aos dois jovens policiais que chegaram amedrontados à
meia-noite e meia? Despreparados, embora empunhassem armas, atrapalharam-se até
com o fecho do portão de ferro. Depois, desabaram-se a fazer perguntas
insignificantes como nome e idade dos moradores. Não tínhamos respostas,
apenas apontamos o matagal, mas eles pareciam incertos em enfrentar a
escuridão. Nosso vizinho ateou fogo, esperando enxergar algo. Um dos policiais
perguntou: tem lanterna? Não, não tínhamos. Enquanto isso o outro tomou
coragem e juntou-se ao nosso vizinho no mato. Tarde demais, pois quem esteve
rondando a vizinhança já devia estar longe. O policial questionou se alguém
havia sido ameaçado com arma. Ainda não. Mas será que o cidadão necessita
esperar que lhe ameacem a vida para ter direito à mais segurança?
(Por Sueli Possamai - RG 3.385.738) ( 47 ) 463 5701
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