MITOS E VERDADES SOBRE A DEPRESSÃO

Helena Christina Clebsch* 

        Até pouco tempo, a depressão não era considerada uma doença, mas uma alteração do caráter e da força de vontade, ou seja, uma reação psicológica de pessoas fracas e incapazes de resolver seus próprios problemas. Hoje, já está comprovado que a depressão é um dos maiores problemas de saúde do mundo. 
       
Projetada para ser a segunda causa de incapacitação na população mundial em 2020, a depressão, um distúrbio médico, crônico e recorrente, hoje ocupa o quinto lugar entre as causas de incapacidade por doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ficando atrás somente das infecções respiratórias, AIDS, problemas ocasionados no período perinatal e doenças diarréicas.

   
     De uma forma ou de outra, cerca de 17% da população tem um ou mais episódios de depressão suficientemente grave durante sua vida. Para a maioria das pessoas, esses episódios são relacionados a algum acontecimento adverso, como a morte de uma pessoa próxima, a perda de um emprego, a falta temporária de perspectivas, o sofrimento com doenças crônicas, etc. São as chamadas depressões ocasionais, ou situacionais, e geralmente se corrigem com o tempo ou com uma psicoterapia de apoio.
       
Entretanto, algumas pessoas têm depressões graves, verdadeiros distúrbios mentais, altamente debilitantes. Para essas pessoas a depressão é um manto negro e pesado, que cobre e sufoca tudo, causando um sofrimento indescritível, uma diminuição enorme da auto-estima, do otimismo e da vontade de viver. Estudos mostram que entre 2,5% a 6% da população pode sofrer depressões deste tipo. O indivíduo é acometido por uma tristeza profunda. O que antes era sinônimo de prazer passa a não ter mais importância. Falta disposição para tudo - trabalho, família, lazer, a pessoa perde a vontade de viver.
   
     De acordo com a psiquiatra Sandra Gasparini, a depressão pode ser definida como um distúrbio de humor causado pela deficiência de substâncias – serotonina, noradrenalina e dopamina - no cérebro.Pode afetar homens e mulheres em qualquer fase da vida, e sem um fator desencadeante grave. É mais freqüente em adultos jovens e em indivíduos com antecedentes familiares de depressão”, conta. A pessoa deve procurar ajuda médica quando os sintomas da doença - tristeza, baixo astral, irritabilidade, desesperança, pensamentos obsessivos, memória e concentração diminuídas, idéia suicida - persistem por mais de duas semanas. 
       
A depressão deve ser tratada, na maioria das vezes com medicamentos e psicoterapia. Os antidepressivos não causam dependência e agem através da reposição da substância que está em falta no cérebro. O início do efeito dos antidepressivos é demorado e o tratamento dura de 4 a 6 meses, às vezes mais.
   
     Apesar do grande estigma que ainda acompanha a DEPRESSÃO, ela é uma doença que sempre existiu, mas que atualmente apresenta uma grande incidência. Sabe-se ainda que é uma doença séria e incapacitante e que tem tratamento e cura na grande maioria dos casos. Na verdade, não é o indivíduo incapaz que tem depressão, mas a depressão que incapacita o indivíduo para o viver saudável e pleno.

*Helena Clebsch é jornalista e designer em Florianópolis/SC 

Dados: http://www.saudevidaonline.com.br

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