Jornal O
Vizinho - Ano XII – Nº 498
- 05/2003 |
Programa ecológico afasta adolescentes das ruas
O Programa Jovem Cidadão, da SBES, tem vários projetos voltados ao atendimento
a crianças e adolescentes. O Eco-cidadão, para meninos e meninas entre 14 e 17
anos, capacita-os para trabalhos de jardinagem. Conhecida como Cidade das
Flores, Joinville tem muitos jardins em casas e empresas que demandam mão de
obra qualificada.
Além
de obrigatoriamente estar freqüentando a escola, os adolescentes beneficiados
por esse programa são de famílias de baixa renda ou com pais desempregados,
preferencialmente para aqueles que vivam em condições de risco pessoal e
social. A educadora Eliane Aparecida da Silva, diz que a atividade contribui
para afastar os participantes das ruas.
As
famílias recebem, mensalmente, uma cesta básica. Os alunos, os passes de ônibus
e, no passado, antes de voltar para casa, tinham almoço, também por conta do
programa. “Os recursos estão limitados na secretaria”, informa a educadora.

Rodrigo
Borba Maciel é morador do Conjunto Habitacional Ulisses Guimarães e aluno do
programa Eco-cidadão
No
cabo da enxada
Morador
da rua Max Prunner, Rodrigo Borba Maciel gosta de capinar. Ele e um amigo
costumam trabalhar juntos. Vão até as casas que precisam do serviço e se
oferecem. Em média, por um dia de serviço, ganham R$ 25,00 que dividem
igualmente. “Faço isso principalmente nas férias, desde os meus onze
anos”, diz.
Para
ele, não falta serviço para quem quer trabalhar. “As pessoas ficam sem fazer
nada porque são acomodadas”, diz o menino. Apesar de gostar do curso de
jardinagem quer ser jogador de futebol “para ganhar muito dinheiro”. Aí,
compraria uma casa grande e bonita e comida. Agora, se mobiliza, com os amigos,
para ter um lanche enquanto está no curso.
Pai
incentiva
Além
de diminuir o ronco de barrigas vazias nas salas de aula a conquista do lanche
é uma oportunidade para ensiná-los a lutar por seus interesses, diz a
educadora que orienta o assunto pedagogicamente.
O
lanche ou almoço faz a diferença. O pai de Rodrigo é aposentado, por
invalidez, há dez anos. “Sofro de uma doença dos nervos”, diz Milton de
Oliveira Maciel, 44, que recebe R$ 242,00 por mês do INSS. A esposa trabalha de
vez em quando como diarista. Com os dois filhos estudando, tem mais R$ 30,00 por
conta da bolsa escola. Os recursos são insuficientes para sustentar com
dignidade quatro pessoas.
O
pai gosta que o filho esteja no curso de jardinagem. “Além de ficar longe dos
ajuntamentos de rua, ainda ganhamos uma cesta básica”.
Programas
complementares
Os
alunos têm outros programas que podem se beneficiar num processo de
continuidade. Um deles é o Curso de Aperfeiçoamento de Jovens para o Trabalho,
de 70 horas. Segundo a pedagoga da SBES, Elvira Maria Zattar Guerra, serão
formadas três turmas de 32 adolescentes que terão aulas uma vez por semana em
escolas no próprio bairro. “A partir de junho uma turma começa no Profipo”,
informa.
Há
previsão de parceria com a Fundamas para cursos de informática, também. Este
programa é voltado para aqueles que estão em busca do primeiro emprego. Mais
informações pelo fone 47 4333774, ramal 294.
Veja
mais sobre o programa Eco-Cidadão no sítio www.ovizinho.com.br,
edições: 495 e 494.
05/2003
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