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O
PALMITENSE DO MUNDO
É fantástica a forma pela
qual Graciliano Ramos foi descoberto como um grande escritor.
Prefeito de Quebrangulo, cidade Próxima a Palmeira dos Índios, enviou
seu relatório anual (que, na época, era obrigatório) ao Governo Federal,
descrevendo, com raro preciosismo e senso de humor, como se comportou a
receita e a despesa do município alagoano.
Por
uma dessas felizes coincidências, o Diretor do Departamento de
Municipalidades, órgão incumbido de auditar aqueles documentos, era Augusto
Frederico Schmidt, que ficou fascinado ao ler o relatório, vendo ali, mais do
que uma obra burocrática, minuciosa e precisa, uma preciosa peça literária.
Tempos depois, o autor de “Memórias
do Cárcere” chegava ao Rio de Janeiro, para juntar-se a Schmidt e à
intelectualidade da Metrópole.
Justificando
o êxito literário que se seguiu, Assis Chateaubriand, que fizera a mesma
trajetória, lavrou uma das frases que tornou-se lema: “intelectual não se
cria na província!”
Isso
valeu para a cearense Raquel de Queiroz, para o maranhense Coelho Neto, para o
paraibano Paulo Pontes, para o mineiro Carlos Drummond de Andrade, para o
amazonense Thiago de Mello. Valeu para a maioria dos talentos brasileiros, mas
não serviu para o cidadão de Palmitos, Luiz Hilton Temp.
Oriundo de Palmeiras, no Rio Grande
do Sul, Temp tornou-se, em todo o mundo, um dos principais expoentes do
cooperativismo. Difundindo sua doutrina, palmilhou o Brasil e os cinco
continentes. Ganhou respeito e notoriedade, passou a ser requisitado para
todos os congressos e conferências sobre políticas rurais, mas permaneceu na
sua pacata e bucólica Palmitos,
lá nos costados do Rio Uruguai, distante uns seiscentos e tantos quilômetros
da Capital.
Na última segunda feira, recebeu o
almejado título de cidadão catarinense, proposto pelo líder Herneus de
Nadal, e aprovado, por unanimidade, pela Assembléia Legislativa.
Na oportunidade, lembrei de uma célebre
frase de Vaclav Havel, que, depois de passar anos na prisão e no exílio,
durante o regime stalinista da antiga República Tcheco-Escolava, alertou para
uma multidão, que, exultante, se reunia na praça central de Praga, para
comemorar a queda do Muro de Berlim:
“O
comunismo soube distribuir a renda, mas não soube produzi-la.
Porém,
não se iludam: o capitalismo é capaz de produzi-la, mas não sabe distribuí-la!”
Eu defendo, com todo entusiasmo, o
cooperativismo de Luiz Temp. Quem for ao Oeste do nosso Estado e conhecer
cooperativas como a Alfa e a Aurora, vai verificar as vantagens desse sistema
produtivo, que, ao mesmo tempo, produz e distribui a riqueza.
No âmago da homenagem que os nossos
Deputados Estaduais prestaram, com toda justiça, a Luiz Temp, na verdade,
exaltaram o cooperativismo.
Exatamente
por sua face competitiva e solidária.
Luiz
Henrique da Silveira
Governador do estado
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