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Jornal O Vizinho - Ano X – Nº 435 - 04/2002
Região 7 - Itaum, Guanabara, Petrópolis e João Costa
Tiragem da edição impressa:  10.000 exemplares
Parte 02  Entrevista - [Voltar para a capa desta edição]

           Partido político apóia arte popular de protesto social


Para Cleomir Waiczyk (Clif), tudo começou quando ele ouvia a rádio onde a irmã (Cleidenir) trabalhava. A música, ainda desconhecida para o “guri”, chamou a atenção. “Pedi que ela gravasse o disco para mim. Me identifiquei com o ritmo e as mensagens e não parei mais de ouvir”, diz Clif.

O Rap que ele ouviu era um dos elementos de uma cultura denominada Hip Hop que se completa com o DJ, a dança e as pinturas em grafite. Jovens na mesma idade foram se “enturmando” e a “tribo”, cresceu e se organizou.
Há uns dois anos o Partido dos Trabalhadores (PT) foi procurado para apoiar o Movimento na instalação das oficinas. O projeto é uma realidade, hoje. Aos sábados, das 14h às 17h30, jovens se encontram na Escola Estadual Gertrudes Benta Costa, no Petrópolis, e participam de oficinas que ensinam as artes do Movimento Hip Hop. Interessados em participar podem ligar para o Marlon (99646820).

Cleomir Waiczyk (Clif)

 

Versão Original
Nascido em Joinville, Cleomir Waiczyk, 22, é casado com Francine, há um ano, e tem uma filha, Larissa, nove meses. Há seis anos e meio trabalha no escritório de Contabilidade Nihues. Clif é técnico contábil e mora no bairro Guanabara há 20 anos. Atualmente, na Rua Vidal Ramos, 342.
O grupo de Rap V.O. é um dos dez que já existem em Joinville e reúnem aproximadamente 100 “seguidores” do Movimento Hip Hop. Clif é um dos fundadores do V.O. que quer dizer “Versão Original”, e o DJ. Tiago e Robson, os vocalistas.
O grupo foi formado há dois anos e meio e só se apresenta com músicas próprias preservando as origens do Movimento. As letras fazem denúncias de exclusão social e “combatem esse sistema discriminatório”, diz o DJ. Interessados em contratar o grupo podem ligar para o Robson (4268046) ou Tiago (4263893).

Entusiasmo
A comunidade acredita que no máximo em dois meses o Conselho será instalado já aprovado pela Câmara de Vereadores. “Assim, podemos nos mobilizar para a busca de investimentos que vão alavancar definitivamente o desenvolvimento da região”, acredita Pereira. Entusiasmo, não lhe falta.
Ano passado, numa reunião do Conselho Comunitário do Itaum, o Governador Esperidião Amim Helou Filho interrompeu a fala do líder comunitário e informou sobre a liberação de R$ 37 mil através da Fesporte. O dinheiro foi aplicado em reformas e ampliações para a prática esportiva. “Ele gostou quando eu disse que formamos cidadãos e disseminamos a disciplina, através da prática esportiva”, finaliza Pereira.
O telefone do Conselho Comunitário do Itaum é 0xx474360481.

Não às “bundas music”
Em Joinville tudo começou com um grupo chamado VRC (Versão Racial Consciente). O foco do Hip Hop teve início nos arredores dos bairros Guanabara e Itaum. Segundo Fabene Kassiá da Cruz, atualmente morador do Profipo, o Movimento tem por objetivo conscientizar os jovens para os seus direitos e formar cidadãos com “atitude”.
Atitude, neste caso, explica Clif, é não se conformar com a indiferença social, discriminação racial e alienação. “O Movimento protesta através da música, dança e pintura estes inconformismos”, explica.
Fabene afirma que o Hip Hop verdadeiro está no Brasil, atualmente. Nos Estados Unidos, virou mais um produto de consumo patrocinado pelas gravadoras, pelo capitalismo. “O Rap brasileiro protesta contra os maus políticos e os estragos provocados pelas drogas”, exemplifica.
Clif afirma que o Movimento em Joinville está “ligado” para não se deixar transformar em mais um produto para o lucro capitalista como acontece com as “bundas music”.

Longe das drogas
Clif conta que a primeira apresentação na escola do Petrópolis os pais acompanharam a maioria dos jovens. A desconfiança era grande porque o Movimento tem alguns componentes que já “curtiram” droga. “Mas o Hip Hop combate as drogas. Cria oportunidades para os jovens ocupar o tempo com arte e música, se afastando delas”, afirma.

Confirmada a seriedade do Movimento, as adesões foram inevitáveis, com o apoio de pais e professores. Aproximadamente 60 jovens estão integrados nas oficinas. Criar oportunidade para um convívio social construtivo é o objetivo do projeto na escola.
“Somos mais uma alternativa sadia para tirar os jovens das ruas. Não é só futebol ou outro esporte qualquer que deve ser incentivado para isso. O Hip Hop ocupa o tempo, ensina artes e forma cidadãos com atitude”, finaliza Clif.

 

 

04/2002
Fim da parte 02 - [Voltar para a capa desta edição]


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