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Jornal O Vizinho - Ano X – Nº 424 - 02/2002
Região 3 - Costa e Silva, Santo Antônio e Bom Retiro
Tiragem da edição impressa:  10.000 exemplares
Parte 01 - [Voltar para a capa desta edição]

Associações de empresários se desentendem

O Artigo 144 da Constituição da República Federativa do Brasil, parágrafo 5o, diferencia as polícias militares dos corpos de bombeiros e dispõe: “Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil”.
O histórico de 90 anos da Acij é marcado pelo comprometimento com uma das mais importantes agremiações voluntárias do país, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, criado em 13 de julho de 1892.
A Constituição Estadual Catarinense, no artigo 109, parágrafo 2o, estabelece que o governo do estado deve oferecer apoio técnico e financeiro às entidades na defesa civil, notadamente aos bombeiros voluntários.
Muito mais equipado, o CBVJ reúne melhor infra-estrutura para atendimento de emergência com paramédicos. Um dos maiores defensores da corporação, o Senador da República, José Henrique de Carneiro Loyola afirma por onde passa que “os problemas advindos da falta de segurança fazem com que o País mergulhe literalmente em uma onda de violência e instabilidade”.
Considerando a falta de policiamento nas ruas de Joinville e o desperdício de dinheiro, quando para o mesmo acidente são chamados o CBVJ e a Polícia Militar, a diretoria da Acij sugeriu ao governador a extinção dos paramédicos militares e o remanejamento dos policiais para o combate ao crime.
Outras entidades empresariais se opuseram, atrasando ou talvez inviabilizando uma decisão que beneficiaria de imediato a comunidade joinvilense. “Foi uma espantosa manipulação da opinião pública”, desabafou o presidente da Acij, Moacir Bogo, em reunião com o Conselho Deliberativo da entidade.

Enquete: Paramédicos deve ser atribuição de quem?

“Deve ser dos bombeiros voluntários de Joinville. Hoje há um desperdício com os dois serviços funcionando. A polícia deve se dedicar para combater o crime e diminuir a violência na cidade”.
Lizete da Silva, 70 – Bom Retiro


“Os bombeiros devem assumir essa função. Sou filha de policial aposentado. Eu sempre quis ser policial. Mas, quando surgiu a oportunidade eu já estava casada e grávida. Os policiais devem combater o crime e falta efetivo. E tem mais, acho que os policiais homens devem estar combatendo o crime. As policiais mulheres deveriam assumir as atividades outras”.
Sílvia F. Fiedler Blasius, 24 – Costa e Silva


lepadron@zaz.com.br
O serviço de resgate é uma atividade inerente ao corpo de bombeiros pois a eles cabe o atendimento à emergências dos mais variados tipos de desastres como incêndios, terremotos, inundações, vendavais, acidentes de várias naturezas etc. No mundo inteiro é assim. O episódio de 11 de setembro, no atentado as torres do WTC e NY, foram os bombeiros responsáveis pela coordenação e ação de salvamento e resgate cabendo a polícia garantir a segurança para o trabalho dos bombeiros e dos cidadãos. A polêmica existente em Joinville é burra pois, nenhum cidadão, em sã consciência, pode concordar que haja dois serviços idênticos e superpostos para uma mesma finalidade enquanto em outros setores estamos tão carentes. Mas, um tema que deveria ser tratado com seriedade, uma discussão que deveria ter uma avaliação adulta e profissional, acaba sendo usada para sensacionalismo de alguns segmentos de pouca credibilidade que sem ter conhecimento mais profundo do tema se arvoram a dar opiniões oportunistas e mal intencionadas pretendendo com isto tirar proveito próprio. Joinville tem muito disso. 
Sérgio Guilherme Gollnick
Arquiteto e Urbanista


abram@sqn.com.br
Abram Dalagnolo, 25, Santo Antônio
Por favor, discutir se o serviço de paramédicos deve ficar com ciclano ou beltrano é, no mínimo, uma proposta de quem não tem uma visão de coletividade como Moacir Bogo. Se com o fim do serviço prestado pela Polícia Militar, melhorasse o policiamento nas ruas tudo bem, mas sabemos que isso não acontecerá. Então, para a comunidade, quanto maior for a prestação desse serviço melhor será. Apenas quem já precisou dos serviços de paramédico tem a consciência de que o socorro nunca é demais. Provavelmente, Moacir Bobo, nunca precisou ser socorrido pelos paramédicos, por isso da idéia absurda e infundada da centralização.

02/2002
Fim da parte 01 -
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